Abu Mohasen Workshop (ou: o clã das adagas voadoras na Jordânia :-D)

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Estava eu visitando o belo anfiteatro romano do centrão de Amã quando me deparei, mais uma vez, com as fotos do Rei, seu pai e seu filho (elas estão por toda parte, que os jordanianos realmente idolatram o Rei e boa parte da família real). Nas fotos oficiais, o Rei carrega consigo uma adaga na cintura e, naquele momento, eu lembrei de ter lido em algum lugar que era uma família jordaniana que fazia as adagas artesanalmente e que as ditas cujas tinham ficado tão famosas que inúmeros órgãos oficiais e militares do mundo inteiro encomendavam a eles alguns, digamos, exemplares – incluindo os EUA. Comentei isso com o guia e Mohammad me disse: “você gostaria de ver como são feitas? a oficina é aqui pertinho”.

O anfiteatro romano fica bem no centro

E era pertinho mesmo: bastou sair do anfiteatro e contornar a quadra pela direita que chegamos a uma tímida portinha, do lado de uma lojinha de souvenirs. Pronto: estávamos na Abu Mohasen Workshop. Ali, há mais de 100 anos, as habilidades de confecção manual de adagas de todo tipo e tamanho passam de pai para filho e não saem da família de jeito nenhum. Os filhos mais novos estavam ali, em pleno trabalho, e foi justamente um deles que muito gentilmente, falando um ótimo inglês, parou o que estava fazendo e me apresentou a oficina.

É pequena, apertadinha, em dois cômodos mais um mezanino. E é ali que eles fazem mesmo tudinho, das adagas pequeninas como a do Rei às espadas gigantonas que o povo pendura na parede. São vários os materiais utilizados (as capas, por exemplo, são feitas de madeira e revestidas com alumínio), mas o processo é super minucioso e realmente todinho manual, impressionante. Acho que eu lancei um olhar meio duvidoso porque ele tascou: “ok, peraí que eu vou te mostrar uma adaga sendo feita no passo-a-passo”. E lá fomos nós.

A capa da adaga começa a ganhar decoração
Decorando e limpando, decorando e limpando
Com uma espécie de estilete na mão, ele vai “desenhando” na capa da adaga de maneira surpreendentemente rápida
Em cinco minutos – cinco!!!! – ele decorou toda a capa
O patriarca que começou tudinho e passou o talento geração por geração
Aqui ele parou um minutinho só pra desenhar uma capa de espada que pediram
O modelinho mais pedido já fica semi-pronto, para poupar tempo na hora H (tá vendo como o miolo da capa é de madeira?)
Uma mistura de sal e ácido é usada para gravar o que se quer na lâmina (reparem na tranquilidade com que ele mexe com o ácido, sem luvas e fumando seu cigarrito)
A lâmina é polida, afiada e afiada de novo
Depois de “desenhar” no alumínio, decorar e polir, fica lindona
Tá vendo a adaga do Rei? Igual-que-nem à minha 😉

O mais legal? Eu assisti o passo a passo, desde o comecinho, da confecção da MINHA adaga. Linda, maravilhosa, exclusiva, e com direito a nome gravado em duas línguas :-))))

Não preciso nem dizer que AMEI, né? De longe, o souvenir mais legal da viagem (shukran, Mohammad!). Aliás, até hoje, o souvenir de viagem mais legal que eu já trouxe.

Se você não curte adagas -embora elas sejam mais enfeite que qualquer coisa –  não tem problema: passa lá que eles também fazem, com o mesmo tipo de artesanato, umas caixas de chá, bandejas e porta-retratos divinos nas horas vagas. O que não pode é deixar de visitar. Imperdível mesmo.

P.S.: Eles podem personalizar também as capas das adagas e espadas, como costumam fazer para FBI e outras organizações internacionais, com o badge ou logo que você quiser. Aposto que vai ter muito brasileiro aparecendo lá pedindo pra personalizar a sua com o escudo do seu time :-))))))

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.