Cruise review: Polar Pioneer, Aurora Expeditions

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O navio ancorado em Ushuaia

O Polar Pioneer, da australiana Aurora Expeditions, é o menor navio que opera viagens à Antártida – ao longo do ano, ele se divide o ano entre as viagens antárticas e árticas, de acordo com o “verão” de cada pólo. Se, por um lado, assim como acontece nos aviões, num navio pequeno a gente acaba sentindo um pouco mais o balanço do mar, por outro, um navio pequeno garante maior interação entre os poucos passageiros (cerca de 50) à bordo e também experiências que sejam, de fato, aproveitadas coletivamente (garantia de todos os desembarques e visitas serem feitos por todos).

Um dos raros momentos do refeitório completamente vazio

Foi por isso mesmo que esse foi um dos navios em cujas listas de espera me inscrevi para essa viagem e fiquei muito feliz com minha vaguinha de última hora. Já confessei aqui que, ao vê-lo no porto de Ushuaia pela primeira vez, me surpreendi ao vê-lo ainda menor do que imaginava; mas também já contei que ele se mostrou fortão e adequado durante toda a viagem.

O cantinho do café (café, chás, biscoitos e frutas) disponível for free 24h

Os roteiros da Aurora (esse valia perto de US$8mil pp em cabine dupla com banheiro privativo e paguei outros US$600 pela passagem aérea ida e volta – GRU/EZE/USH-PUQ/SCL/GRU – direto no site da Lan) são sempre zero luxo, full expedição. Tudo é muito informal à bordo, em todos os sentidos. Seus navios mantêm o mesmo jeitão dos navios de expedição e pesquisa que um dia foram (utiliza sempre navios que já exerceram essa função em décadas anteriores): refeitórios simples, de mesas comunais, no lugar de restaurante; cabines com duas camas pequenas ou beliches; banheiros pequenos, com zero glamour; comida caseira e nada de serviço de cabine.

A minha cabine (no canto direito, depois da mesinha e do armário, ficava a outra cama) …
…e a minha cama em close

As cabines eram quase todas duplas – apenas duas eram triplas. O banheiro era bem pequeno e com cortinas ao invés de box, uma pena; por outro lado, a maneira como foi bolado é de fácil limpeza e manutenção (a camareira tirava esse emborrachado do piso todos os dias para lavar). A cabine, ainda que simples e de cama pequena (eu sou baixinha, mas os altos devem ter mais problemas), tem bastante espaço, com armários separados para cada passageiro, janelinha, duas prateleiras e mesa de trabalho – inclusive um cantinho para malas onde cabem até malas bem grandonas. Algumas cabines (as mais baratas) são do tipo “sharing facilities” e, por isso mesmo, têm só pia dentro do quarto – vaso e ducha são compartilhados com outros passageiros que tenham escolhido o mesmo tipo de cabine.

O banheiro: a parte da cabine que eu não gostei

A parte boa, em qualquer tipo de cabine, é que se você assinalar que topa dividir a cabine ao fazer a reserva como solo traveler você não paga single supplement – tremeeeeeenda mão na roda para muita gente, já que meu cruzeiro tinha solo travelers em número quase igual aos passageiros acompanhados. Só não gostei que lençóis e toalhas só foram trocados uma vez durante a viagem.

Boas-vindas aos passageiros: mug térmica para a viagem e crachá para usar nos primeiros dias

O cuidado ambiental deles foi o que mais me atraiu na companhia, recomendada por uma amiga inglesa. O pessoal das reservas foi bem paciente e didático, mesmo na correria que foi minha efetivação da viagem, e me enviaram inúmeros PDFs explicando como seria a viagem, o que levar, que cuidados ambientais tomar etc. À bordo, os guias realmente fiscalizam o tempo todo se estamos limpando as botas ao entrar e ao sair dos zodiacs, se limpamos as roupas antes do primeiro desembarque, por onde andamos no continente etc.

Uma das palestras que tivemos à bordo…
… e a ponte de comando, sempre aberta aos passageiros (e super frequentada por eles dia e noite, btw)

Os guias e demais membros do staff foram todos ótimos, muito bem humorados e cuidadosos, aliás – embarques e desembarques sempre super pontuais, muita informação o tempo todo, e nada em excesso.
Já tripulação (marinheiros, garçonetes, camareiros etc) deixa a desejar: faziam o necessário e ponto; não sorriam quase nunca (depois me disseram que é algo muito comum aos russos mesmo essa sisudez), eram muito pouco solícitos com os passageiros e o serviço no restaurante era sempre bem abrutalhado. Quem está acostumado com os geniais filipinos e indianos tão comuns em outros navios, estranha mesmo.

Movimento no bar para o “ponche” de boas vindas

A comida é excessivamente caseira, de prato único e sem opção de escolha, servida sempre em refratários grandes nas mesas para que cada um se servisse. Já as sobremesas (existentes única e exclusivamente no jantar) essas sim eram excelentes – a sub-chef era especialista em patisserie, então entendia mesmo do riscado. Água (filtrada), café e chá incluídos 24h; todas as outras bebidas cobradas à parte.

Embarques e desembarques sempre cuidadosos…
…. e passeios bem seguros

O que faltou, na minha opinião, foi uma pouquinho mais de entretenimento, sobretudo nos dias do Drake; tinhamos palestras e tal, mas acho que seria legal incluir algo mais lúdico (como o pessoal dos Cruceros Australis faz, por exemplo) para ajudar o tempo numa travessia mais complicada passar de maneira mais agradável.  Mas, no geral, eu gostei da experiência  e certamente a repetiria; aliás, conheci à bordo tantos passageiros que já tinham viajado com eles pelo Ártico que estou seriamente considerando fazê-lo com a mesma companhia em uns dois anos.

O staff (guias, diretor de hotel e médico) gracinha da viagem…
… e a turma da cozinha, num raro momento de sorrisos

Histórias, causos, a rotina a bordo, fotinhos e todos os passeios que eu fiz durante essa viagem vocês encontram nesse link aqui.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.