Cruzeiro à Antártida: a passagem pelo Drake

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passagem de Drake (ou passo lde Drake) é lendária entre navegantes e amantes de travessias como o mar mais agitado do planeta. Trata-se do trecho de oceano entre a Terra do Fogo e a Antártida, concentrando, ora pois, as piores condições meteorológicas marítimas do mundo o.O

A verdade é que (Sir) Frances Drake, que batizou o trecho, na verdade, jamais passou por essas bandas – ele circulou mesmo foi pelas também agitadas águas do estreito de Magalhães – águas essas cuja agitação quem já foi ao Cabo Horn conhece muy bien. 

 Nas águas do Drake já morreu muita gente, sobretudo das primeiras missões de exploração antártica: como quase não há terra na mesma latitude do Drake (são só as ilhotas Diego Ramirez), as correntes antárticas circulam por ali com força total. 

Então quem viaja à Antártida já sabe que vai encontrar, antes de chegar à última fronteira, muuuuuuito movimento no seu barco. Durante o jantar do nosso dia de embarque no cruzeiro, o médico à bordo (o ultra paciente e atencioso Dr. John, ou JB) advertiu a todos que tomassemos algo para os enjoos antes de dormir. Algumas pessoas (incluindo staff) já tinham colocado seus patches anti-enjôo antes mesmo do jantar. Eu, como nunca tive enjoos no mar, tinha levado uma caixa de Dramin, por sugestão da minha médica; mas JB disse que, para o Drake, Dramin era muito fraco (ui!) e me deu um comprimido de Prometazina (25mg) – que depois, descobri eu, era o que quase todos os passageiros tinham levado mesmo.

Depois do jantar, percebemos que a coisa vinha fuerte ao ver incontáveis saquinhos de enjoo espalhados por todos os corredores, salas e escadas do navio – e vimos vários deles começarem a serem usados logo depois das 23h.

A noite foi longa. Quase ninguém dormiu. O navio sacudiu que foi uma loucura e passei a maior parte do tempo tentando me equilibrar, entre uma mancha roxa aqui e outra ali, na minha própria caminha. No dia seguinte, segui as recomendações e desci para fazer as três refeições (quando a gente tem enjoo de mar, tem que manter comida no estomago, preferencialmente carbos), socializar um pouco e ver a paisagem da ponte de comando. Não queria perder nadinha, mas tava osso. Rolaram duas palestras, uma pela manhã e outra pela tarde, mas o quórum foi mínimo em ambas. Era difícil a própria movimentação pelo navio e a gente fica zuereta, zureta. Não dava pra ficar nos decks externos (muitíssimo vento e água, ondas quebrando até o deck 5) e a maioria dos passageiros passou o dia recolhido na sua cabine, entre um enjoo aqui e outro ali, dormindo mucho. Quem passou muito mal (foram dois ou três casos) foi atendido rapidinho na enfermaria – me contaram que as injeções são um santo remédio pra quem é mais sensivel nesse ponto. 
Mar mezzo em fúria
Sente só a onda quebrando no deck 5
O navio “decorado” para o Drake

Tripulação e staff disseram que foi um dia normal de Drake, bem dentro do esperado. Na segunda noite a bordo foi ficando mais light. Fiz esse videozinho bizarro quando as coisas já estavam mais calmas (mas reparem q eu não saí da cama pra filmar hehehe)


Foi só pelas 5h do outro dia que a coisa sossegou. Ainda era movimentado, claro, mas como num mar agitado qualquer. Para a tripulação, aquilo era uma calmaria danada em se tratando do Drake – o capitão Yuri me contou que, das 93 travessias do Drake q fez, só em outras 3 tinha encontrado dias tão “calmos” como aquele nosso terceiro dia de viagem. Ufa. Um alívio para nós.

As palestras encheram em todos os horários, o refeitório encheu às refeições e os decks externos do Polar Pioneer ficaram movimentados – foi nesse dia que, extremamente excitados, vimos nosso primeiro iceberg no caminho!

Dali pra frente, nossa viagem foi só alegria. O melhor de tudo? Que a gente sabia que, como o roteiro era flyback, não teríamos que enfrentar o Drake de novo na volta 😉
p.s.: a quem interessar possa, algumas operadoras já estão fazendo roteiros curtinhos, de 5 dias, fly-fly, nos quais as pessoas vão e voltam de avião. Mas eu, honestamente, não recomendo. Só para casos muito extremos de sensibilidade. Como amante do mundo das navegações em geral, e após ter lido tantas histórias incríveis sobre aventuras e desventuras no Drake, eu jamais conceberia uma viagem minha à Antártida sem passar por ele. Como um rito mesmo. 

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.