De volta a Marrakech

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A bela propriedade do Four Seasons por lá

Quatro anos atrás, visitei Marrakech pela primeira vez, acompanhada de minha irmã, e vivi uma história de amor e ódio com a cidade. Amor pelo exotismo árabe, pelo tempero africano, pelo sotaque francês, pelas cores, pelos cheiros, pela comida. Ódio pelo perrengue que foi aturar uma semana de um assédio duro e, por muitas vezes, ofensivo, pelo trânsito, por tudo ter que ser negociado, porque atravessar as ruas (sem faixa de pedestres, entre carros, carroças, motos) era um exercício diário de luta pela vida. Disse que só voltaria para lá acompanhada de um homem e em alto estilo.

Convite para o chá: no hotel, no souk, nos restaurantes, nas lojas, sempre

Bom, quebrei a promessa, mas só pela metade: voltei a Marrakech em abril passado completamente sozinha – mas fiz questão de me hospedar num hotelaço (o divino-maravilhoso Four Seasons Marrakech), ainda mais agora que a cidade vive um boom da hotelaria de luxo (tem review aqui). E, quer saber? Adorei.

Bom, passei um perrengue logo na chegada: foram duas, DUAS horas na fila da imigração. Era gente demais. Eu nunca tinha visto um saguão tão lotado; eram muitos grupos, muitos voos chegando ao mesmo tempo (comecinho da noite), e o sistema lento de registro que piorou tudo. E fazia um calor de 37 graus diariamente. Mas gostei, e muito, dessa nova escapada marroquina. Já comecei deixando acertado previamente um transfer do aeroporto ao hotel para evitar aquele sentimento de minhoquinha atacada por aves sem fim que a gente sente ao sair em meio ao mar de táxis e taxistas bem em frente ao saguão de desembarque (aviso: quem não deixa transfer pré-agendado tem que, como eu e minha irmã fizemos em 2009, negociar o preço da corrida até o hotel)

Marrakech é uma excelente escapada para quem está na Europa. Os voos são curtos e, em geral, bem baratos (paguei quase 350 euros para voar de Easyjet, mas porque eu estava em Milão; de Madri e Paris , por exemplo, as ofertas costumam ser sensacionais). A cidade mudou nesses quatro anos. Não que fosse tradicionalista antes, longe disso – faz tempo que Marrakech tem essa vibe jetsetter, mas esse viés se expandiu muito nesses últimos tempos. E a cidade também ficou mais segura: há câmeras espalhadas por vários pontos da Medina e do souk e várias atrações têm policiamento visível.

As atrações continuam sedutoras: dos palácios ao souk, impossível não se deixar levar pelos encantos de Marrakech. O próprio caos de Marrakech é sedutor. Refiz vários dos passeios que tinha feito na visita anterior – Jardin Majorelle, os Palácios, a sen-sa-ci-o-nal Madrassa Ali Ben Youssef – e continuo recomendando todos.

Usei novamente o citysightseeing bus da cidade por 48h e continuo achando um negocião – agora são 3 rotas diferentes, todas incluídas no mesmo ticket (na visita anterior eram apenas 2) que chegam não apenas às atrações mais comuns como também às mais antigas, do Palmeirae ao novo big mall da cidade. E, claro, acho que curtir o caos da praça Djema el-Fna é simplesmente essencial, de dia e, sobretudo, no fumacê do final de tarde.

Também acho que vale a pena contratar um tour guiado pelo lado B do souk. É claro que todo mundo explora as barraquinhas que vendem de tudo por lá – agora, muitas delas surpreendentemente com preço fixo dos produtos, boas para quem, como eu, odeia pechinchar. Mas ter um guia que te leve para ver onde as mercadorias são produzidas, as cooperativas de tapetes, a parte onde apenas marroquinos compram, a parte que funciona como “praça de alimentação” e tantos outros cantinhos é um belo passeio – até porque, sozinho, é muito perigoso se perder por essas ruelas labirínticas da medina, mais escondidas (vou fazer um outro post sobre isso). No final, subir ao Terrasse des Épices para tomar um delicioso chá marroquino vendo aquele sem fim de cores lá de cima é pedidaça.

Espaço pra mini-saia…
… e pros trajes islâmicos na mesma praça

Para mulheres viajando sozinhas, valem os mesmos conselhos de sempre, e já falei deles aqui no mês passado: não andar por locais desertos ou escuros, planejar seus itinerários, andar com passo determinado e, claro, não ligar para as “cantadas” que acontecem o tempo inteiro (lá em Marrakech eles ainda buzinam muito para turistas desacompanhadas, o tempo todo). Cara de paisagem resolve, em geral 😀

Menino coloca as peças de couro para secar nos “bastidores” do souk
Peças de antiquário à venda na calçada dentro da Medina
O interior da espetacular madrassa

No mais, é relaxar e aproveitar. Curtir todas as novidades da cidade nova, como Guéliz e a fofa rue de la liberté. Sair, conversar com gente do mundo inteiro, fazer compras baratíssimas no souk, relaxar nos jardins de Menara, aproveitar a excelente vida noturna (o Bo-zin continua sendo meu local favorito), descobrir novos sabores e aromas, ouvir histórias. Passei dias lindos, saí todas as noites (os bares dos hotelaços são todos incriveis, do próprio Four Seasons ao novíssimo Delano, e a gente se sente bem segura, mesmo sozinha), fiz novos amigos, uma delícia. Em Marrakech até se mimar custa menos 😉

Meninos numa pelada (com direito a camiseta do Ronaldo e tudo!) numa das ruelas perdidas da Medina

Para quem fica mais tempo e tem tempo para escapadas ou, ao menos, passeios tipo bate-e-volta para fora de Marrakech, continuo recomendando, e muito, os passeios ao vale de Ourika (para ver bem a cadeia do Atlas, a produção de azeite e dos produtos com argan etc) e à linda Essaouira, beira-mar.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.