Índia: como eu fui

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InstagramCapture_b9c4f46b-8eab-4c1e-8d74-6e464d62c155 Como mulher viajando sozinha, optei por alguns cuidados e precauções durante minha viagem por lá

 

 

 

Se tem uma coisa em que nunca concordei com Paul Theroux é que viagem boa tem que ser sofrida e ter perrengue. Viagem boa pra mim tem que ser boa pra mim e ponto final. Acho que ficar em bons hotéis, circular com conforto e planejar bem seus passos antes de embarcar não te impedem, de nenhuma maneira, de mergulhar de cabeça num país, numa cultura e interagir diária e intensamente com um povo.

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Antes de viajar para a Índia, li muito, muito mesmo, tudo que caiu na minha mão (e coisas específicas que eu busquei também, claro) sobre o destino. De livros de História e Geografia a blogs de viagem, li de tudo e mais um pouco. E de tantos perrengues que li e casos de insatisfação com viagens à Índia por causa destes perrengues, resolvi ter minha primeira vez no país com o máximo de segurança e anti-perrenguismo – sobretudo por ser uma mulher viajando sozinha para um país que não é dos mais liberais e hospitaleiros com elas.

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Então eu acertei minha viagem com duas operadoras (que vendem B2B para o mercado brasileiro; isto é, através de agências de viagem) para dois roteirinhos diferentes. E ainda surgiu um terceiro roteiro bem interessante, através de um convite, entre eles.

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Não que eu não tenha circulado sozinha por lá; pelo contrário, fiz questão de fazer alguns programas solo, inclusive à noite, para depois poder vir contar aqui como é ser uma mulher viajando sozinha pelo país (já posso adiantar que todas as outras mulheres que conheci viajando sozinhas por lá desta vez estavam viajando no mesmíssimo esquema eu – e que eu realmente recomendo). Mas achei por bem ter “alguém” zelando por mim durante meus dias indianos e tornando meus dias e deslocamentos pelo país o menos estressante possíveis.

Acertei o famoso Golden Triangle indiano – Delhi, Agra e Jaipur – com a Indian Routes, com carro com motorista para os deslocamentos e eventuais guias para alguns dos passeios. O serviço foi todo bom, com bons hotéis, bem pontual, entregando exatamente o combinado. Pessoalmente, achei os guias superficiais – davam as informações básicas que temos nos guias e livros, e eu gosto de saber MUITO sobre os lugares que visito; mas também fiz um roteiro mega corrido, querendo ver muitas coisas em cada dia. Por outro lado, tive um motorista sensacional, o adorável Krishan Lal.

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O mega paciente Krishan em ação

O mega paciente Krishan em ação

 

Enfrentamos juntos horas e horas de estrada para fazer o Golden Triangle – com as rodovias sempre ruins e trânsito intenso, um simples trecho de 280km na Índia chega a durar insanas 7h de viagem, como o interminável trecho Jaipur-Delhi. Mas foi com ele, num carro confortável com ar condicionado, que tive alguns dos melhores e mais esclarecedores diálogos da viagem. Falamos de tudo e mais um pouco, incluindo castas, casamentos arranjados, separatismo e questões econômicas. Por essa talvez nem Theroux esperasse 😛

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Então interrompi a viagem pelo Rajastão para aceitar um convite do Ministério do Turismo da Índia: participar de um evento sobre o circuito Budista na Índia no estado de Bihar. Para quem não sabe, foi na Índia que o Budismo surgiu de fato e alguns lugares sagrados por ali, como Bodhgaya e Nalanda, guardam templos incríveis e ruínas sensacionais dos lugares onde Buda teria tido sua iluminação, feito seus primeiros discursos e arrebanhado seus primeiros seguidores.

Descontados os perrengues por conta da organização do evento (que foram muitos!), foi muito legal ter tido a oportunidade de conhecer tais lugares off the beaten track (como jornalista, eu tinha muito curiosidade de vê-los, mas Bihar não é um estado aconselhável para mulheres viajando sozinhas). Tive a chance de visitar lugares lindos e comoventes – a fé sempre me comove, seja ela qual for – e interagir com a população local diariamente. Foi ótimo ver as cidades de vocação puramente agrícola (uma espécie de #oldindiafeelings, sabe?) tomadas por uma infinidade de monges com suas tradicionais vestes cor de laranja misturados aos indianos.

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Dali já estava mesmo nos meus planos seguir a Varanasi – eu nem cogitaria uma primeira vez na Índia sem conhecer Varanasi e quero, definitivamente, voltar pelo menos uma vez mais à cidade. Foi uma escala curta, de um dia e uma noite, mas provavelmente a mais significativa de toda a viagem. Acompanhar a cerimônia noturna do Aarti à beira do Ganges e, sobretudo, ver o dia amanhecer e vida e morte tomarem conta do rio sagrado foi mesmo sensacional. Ainda vou escrever muito sobre isso aqui, aguardem.

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A última semana da viagem, novamente entre Delhi e o Rajastão, foi coordenada pela excelente Banyan Tours, uma operadora upscale cheia de propostas para viagens diferentes, menos óbvias, pelo país (tenho várias delas na minha cabeça para futuras visitas). Esquema bem parecido: tinha carro com motorista para todo o período e tive guias em Jodhpur. Aí sim posso dizer que os guias foram sensacionais – aprendi muito com eles sobre a cultura e a história da Índia, inclusive as mais recentes mudanças sociais que andam rolando por lá – , tive um motorista gracinha e mega profissional e paciente, ótimos hotéis, experiências bem customizadas e bastante tempo livre para também sair sozinha e conversar com os locais. E eu ainda tinha a liberdade de mudar de ideia e planos no meio do caminho, eventualmente. Recomendo muito, muito mesmo.

O esquema sensacional do carro da Banyan para enfrentar as horas de estrada

O esquema sensacional do carro da Banyan para enfrentar as horas de estrada

Na infra aérea, fui à Delhi via Abu Dhabi com a sempre excelente Etihad Airways (das minhas preferidas, vcs sabem), que ainda me deu um providencial upgrade <3 , anda mesmo com os melhores preços para chegar à Índia e tem conexões imediatas para não precisar fazer stopover. Os voos internos eu fiz com a Air India, companhia ok que é parte da Star Alliance. Depois falarei sobre o absurdo frenético das questões de segurança nos aeroportos indianos, sobretudo os menores.

IndiaComi em barraquinha de rua e em restaurantes bacanudos, fiquei num dos piores hotéis da minha vida e também num dos melhores, conversei com (muuuuuuuita!) gente local e turistas estrangeiros, camelei debaixo de um sol escaldante disputando o caminho com vacas e enfrentei horas de estrada com ar condicionado, me enfiei em mercados e vi leopardos de pertinho – e amei, deep down my heart, todas as experiências que tive nas minhas duas semanas por lá. Dos (poucos, felizmente) perrengues à la Theroux ao quarto sensacional do The Lodhi, foi uma viagem incrível – e não tive nenhum piriri 😀

Daqui por diante, os posts vão contar, lugar por lugar, os detalhes da epopeia. Stay tunned 😉

 

 

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.