Luxor: o Vale dos Reis

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 O primeiro tour que fizemos em Luxor foi logo cedo, assim que chegamos na cidade e ancoramos. Desembarcamos do Sun Boat IV bem, bem cedinho e já rumamos diretamente para o Vale dos Reis. A ideia era conseguir fazer o tour completo (incluindo Vale da Rainha e outras duas paradas) terminar antes da uma da tarde, quando o sol por ali fica mesmo dureza mesmo para as peles mais resistentes.

 Então mal o dia amanheceu já saímos para tomar um barquinho bem ao lado de onde o navio ancorou, justamente para cruzar o Nilo até a outra margem. E depois ainda andamos um tico em van para chegar até o local exato.

 O Vale dos Reis (Wadi al Muluk), patrimônio tombado pela Unesco, fica na margem oeste do Nilo, exatamente oposto a Luxor (antiga Tebas) abrigou durante cerca de 500 anos as tumbas dos faraós e nobres mais poderosos do Egito (da dinastia XVIII até a XX). Ficou internacionalmente famoso lá em idos de 1962 quanto a tumba do Tutankamon, o Rei Menino, foi descoberta  mas, ao todo, são mais de 63 imensas tumbas (algumas absurdamente gigantes, com mais de 120 câmaras diferentes) espalhadas pelo vale e estima-se que muitas outras ainda sejam descobertas nas próxima décadas.

 Na entrada, a gente escolhe o tipo de ticket – cada um dá direito a um número X de tumbas a serem visitadas; o mais barato, que dá direito a entrar em 3 tumbas diferentes, vale 80 libras egípcias. E a visita à tumba do Rei Tut é sempre pagada separadamente (100 libras egípcias para uma entrada única). E vale lembrar que, à exceção da múmia, os ítens mais interessantes encontrados no túmulo de Tut estão todos no Museu do Cairo. Para quem for visitar três, recomendo as de Ramsés IV, Ramsés III e Menenptah – estão bem próximas umas das outras e têm estilos diferentes (a de Menenptah é interessantissima, bem grande e em declive).

As tumbas são decoradas em estilos diferentes, mas é impressionante ver como algumas mantêm as cores praticamente intactas até hoje, apesar de terem sido roubadas e saqueadas na antiguidade; a decoração é sempre baseada em cenas da mitologia egípcia. Dentro delas (ou mesmo em frente às suas entradas) não é permitido fotografar nada, mas vi os funcionários dizerem mais de uma vez para turistas que fariam vistas grossas se recebessem boas gorjetas o.O

Na antiguidade, as tumbas eram visitadas durante as festividades da Necrópole de Tebas e até hoje acontecem celebrações por ali. Hoje chove muito pouco lá (dizem que, no verão, a temperatura pode chegar aos 60 graus em Luxor!) mas o vale já foi vítima de inundações que acabaram depositando toneladas de detritos até mesmo dentro das tumbas.
Bafões faraônicos aconteceram aos montes por ali. Ramsés III, disse o guia, teria alcançado a tumba de Amenmessés ao cavar a sua, abandonou a construção e simplesmente se apoderou de outra tumba já prontinha, a de Tausert. Dizem também que foi ali no Vale que rolou a primeira greve da humanidade, protagonizada pelos moradores de Deir-el-Medina que trabalhavam na construção de tumbas.

Também visitamos ali o Vale das Rainhas (Biban el-Harim, 35 libras egípcias), onde ficam cerca de 80 tumbas de rainhas, princesas e também alguns príncipes do Império Novo. O mais famoso deles é o QV66, da rainha Nefertari (não confundir com Nefertiti, please), esposa de Ramsés II.  Nas pinturas da tumba, Nefertari aparece, inclusive, adorando o corpo mumificado de Osíris e oferecendo leite à Hathor (é aberta em ocasiões especiais, em visitas privativas que custam pequenas fortunas).

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.