Porque usar milhas para voar na executiva

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A matemática que eu uso para atribuir o maior valor possível para as minhas milhas e pontos ao dar preferência para passagens-prêmio em classe executiva

 

 

 

 

 

 

Quando eu comecei a usar programas de fidelidade de companhias aéreas, acho que lá no finalzinho da década de 90 (#véia), as regras dos programas eram outras e o que mais me preocupava era emitir o máximo possível de passagens com as milhas que juntava (como sempre defendeu o Rodrigo Purisch do finado e ótimo Aquela Passagem, milha boa é milha gasta). Sempre levei muito a sério os programas e sempre tratei meus pontos e milhas praticamente como dinheiro, mas foi só já na metade da primeira década dos anos 2000 que eu passei a investir num uso mais consciente delas.

Neste ponto, eu já era meio miles freak, concentrando todos os meus gastos nos cartões de crédito (sim, sou daquelas que paga até cafezinho com o cartão) e comprando voos levando em consideração as alianças a que tais companhias pertenciam quando a diferença de preço entre elas não era demasiadamente significativa.

Até hoje tomo conta das minhas milhas e pontos com esmero, checando extratos com regularidade e reclamando milhas e pontos não creditados nas vezes em que isso aconteceu. Pra mim, trata-se de uma matemática bem simples: voando com bilhetes-prêmio, sobra mais dinheiro para gastarmos no nosso destino de férias. Concentro meus voos e os pontos oriundos dos meus cartões de crédito em 3 programas de fidelidade de três companhias aéreas diferentes, uma de cada alianca (Star Alliance, One World e Sky Team) e não resgato com eles nada que não sejam passagens aéreas (que fique claro que não tenho absolutamente nada contra com quem o faz; cada um usa suas milhas/pontos como achar melhor, sem dúvidas).

Pra mim, tem dado muito certo. Concentrando voos em determinados programas, a gente sobe de status nos mesmos e, assim, passa a acumular ainda mais pontos a cada voo feito, além de outros benefícios – cujas variações podem incluir acesso a salas vip, aumento de franquia de bagagem, prioridade de check in e embarque, facilidade para upgrades etc. E concentrar os voos em determinados programas é muito fácil: no meu caso, tudo o que eu voo com Star Alliance vai pro Victoria da TAP, tudo que eu voo com One World vai pro Fidelidade da Latam e tudo que eu voo de Sky Team vai pro Flying Blue da Air France/KLM (que fique claro que sei que eles não são necessariamente os melhores programas, mas são os programas que vêm dando certo PRA MIM).

(Disclaimer rapidex: ao contrário do que muita gente pensa, mesmo sendo jornalista especializada no setor e viajando muitas vezes a trabalho/convite durante os anos, como freelancer que valoriza a liberdade e a ausência de vínculos acima de tudo, eu ainda faço questão de decidir e “montar” a maioria das minhas viagens, e pago pela maioria das minhas passagens aéreas – juntando pontos/milhas igualzinho a você. Quando viajo a trabalho/convite, geralmente as passagens são cedidas em cortesia pelas cias aéreas envolvidas e não juntam pontos/milhas para o jornalista)

 

Porque em executiva

E é também nessa linha de raciocínio que, sempre que possível, eu prefiro usar minhas milhas para voar em classe executiva ao invés de classe econômica. Sim, eu sei que usando as milhas para voar em econômica eu poderia voar “mais” com um tanto X delas. Mas para mim trata-se de conseguir o maior valor possível por minhas milhas e pontos – sobretudo por um produto cujo preço, na maioria das vezes, não estamos dispostos a pagar. Na hora da compra de um bilhete, o preço de uma passagem em executiva, salvo raras exceções, costuma custar pelo menos três vezes o preço do mesmo trecho econômica; com pontos e milhas, muitas vezes a diferença não chega nem ao dobro.

Emiti neste mês, por exemplo, uma passagem ida e volta do Brasil para os Estados Unidos com o Victoria da TAP (que tem sido meu favorito nos últimos anos). Em econômica, a viagem ida e volta saía por pelo menos 50 mil milhas; em executiva, me custou 90 mil milhas (menor quantidade de pontos, aliás, que o Fidelidade da Latam me pedia em econômica para o mesmo período!). Emiti em executiva, claro, e meu total de taxas para ida e volta foi de 80 euros – mas isso deve mudar bem a partir do dia 14 de março, quando a TAP passará a ser uma das cias que voltarão a cobrar a famigerada “taxa de combustível”, infelizmente re-autorizada pela ANAC.

Fazendo essa matemática, já emiti diversas viagens em executiva com companhias como  Singapore, TAP, Latam, United, Air France, Delta, American, South African, Turkish e até na finada Pluna (praticamente numa outra encarnação). E quando não é possível emitir ida e volta em executiva, geralmente emito a ida, para chegar ao destino o mais “inteira” possível (e ficar quebrada só na volta pra casa 😛 )

Meu snap empolgado voltando de NY em novembro passado

Além disso, em geral é mais barato fazer alterações numa passagem-prêmio que num voo comprado – sem falar, é claro, que hoje em dia muitos dos voos com preços promocionais não permitem alterações nem reembolsos. Relaxando na sala vip antes do voo e voando num assento bastante confortável (boa parte das classes executivas hoje em dia conta com as excelentes flat beds), a gente chega no destino decentemente descansado e aproveita melhor o primeiro dia.

Usar pontos/milhas para fazer upgrades também é ótima ideia – mas tem que checar na hora da compra da sua passagem SE aquela tarifa que você está pagando te dá direito ao upgrade de classe (as tarifas super promocionais nunca permitem). Quem tem status elite nos programas de fidelidade tem mais chances de receber upgrade espontâneo na hora do voo – e tem programas, como da Latam, que disponibilizam um número X de “vouchers” para serem usados em upgrades de classe, dependendo do status do passageiro. Esse lance dos vouchers da Latam, aliás, que eu já usei e dá bem certo, tem algo curioso: a maioria das tarifas deles para passagens compradas em econômica não dá direito a usar o voucher para fazer up pra executiva; mas qualquer passagem prêmio em econômica é elegível para o uso do cupom, mediante disponibilidade.

E pra finalizar, olho vivo: a gente tem que ler e se informar sobre as cias aéreas antes das emissões para saber escolher as companhias que realmente valem os upgrades – não é toda companhia aérea que tem uma classe executiva incrível. Muitas companhias voam na América do Sul, por exemplo, com uma classe executiva bem mais simples que nos voos para Europa, EUA e outros cantos (a Emirates é a melhor exceção neste sentido). O mesmo vale para voos ao Caribe ou dentro da Europa. Pesquisar é sempre a chave do bom negócio.

 

Vale a pena usar as milhas para voar em Primeira Classe?

Meu pitaco? Voar com o máximo possível de conforto sempre vale a pena, é claro. Matematicamente, dados os preços dos trechos em primeira classe, esse é o maior valor que você pode atribuir para seus pontos e milhas. Mas, para mim, pessoalmente, não compensa tanto. Já emiti passagens-prêmio em primeira classe (tem uma dessas experiências, voando com a TAM, aqui), mas prefiro usar meus pontos/milhas para voar em executiva mesmo. Nem tanto pela quantidade de milhas necessárias, não; mas porque tenho levado em consideração outros aspectos e minha matemática acaba pendendo pro-executiva.

É indiscutível que algumas companhias – como Etihad ou Emirates, por exemplo – tenham levado a experiência de voar em first class para outros patamares; mas, enquanto a diferença de qualidade entre as classes econômica e executiva é cada vez maior em todas as companhias, a diferença de qualidade entre as classes executiva e primeira já não é assim gigantesca.  As executivas de quase todas melhoraram tanto ultimamente que acho que a “competição” anda cada vez mais acirrada (tanto que algumas cias até aboliram mesmo a primeira classe de seus voos).  Como via de regra, na grande maioria das companhias aéreas você tem na primeira classe amenidades muito semelhantes às da executiva – com menos mimo e rococó.  Há ótimas exceções, sim, mas boa parte das companhias não faz também distinção entre executiva e primeira classe nos lounges no aeroporto.

 

 

Em tempo: na hora de dar um boost nas minhas milhas, gosto muito das dicas do site gringo The Points Guy  (que ~inspirou~ diversos sites do gênero, inclusive brasileiros), extremamente didático nos tutoriais para aproveitar promoções e afins. E também fico o tempo todo de olho nos emails que chegam dos programas de fidelidade que tenho para não perder nenhuma promoção – desde os bônus para transferências que o Multiplus da Latam vira e mexe dá às promoções anuais da TAP de voar com milhas com 50% de desconto (nessa já fiz ida e volta pra Paris em business por apenas 55 mil milhas).

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.