O relato da travessia

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Embarquei no Grand Mistral de carra amarrada: estava p da vida com o atendimento que a Costa tinha me dado no Brasil, por terem me jogado numa cabine ruim e, sobretudo, porque eu queria mesmo era viajar no Costa Romantica, que era a parte original do meu cruzeiro de travessia.
Além da minha cara feia, à bordo tinha mais um montão: a grande maioria dos passageiros era argentina, com alguns brasileiros, uns alemães, uns franceses e um ou outro suíço ou espanhol – mas muita gente também estava brava com essa troca meio downgrade, num navio de má reputação na América do Sul pelo tipo de cruzeiro que promove.
Nos primeiros dias, foi complicado: os hóspedes estavam bravos, o serviço tinha muitas falhas e testemunhamos algumas brigas entre tripulantes. O fato é que o Mistral nunca faz as travessias com passageiros – ou seja, a tripulação vai leve e solta, com festa todos os dias: eles estavam bravíssimos por terem que atender passageiros, segundo eles, “muito exigentes”. Já a tripulação do Costa, tinha um mais problemas: trabalhar num navio que não era “a sua casa”, conviver com a cara feia dos outros tripulantes e, pior, saber que seus colegas do romântica estavam ancorados em Savona, sem passageiros, com festas todos os dias (apenas 120 tripulantes do Romântica foram enviados para fazer a travessia, e estavam inconformados). Nas cabines, toalhas rasgadas, lençóis furados e cobertores com queimaduras de cigarro; na cozinha, comida meio insípida e chegando geralmente fria à mesa.
Mas a verdade é que, com o passar dos dias, fomos todos conversando com os tripulantes e outros passageiros e as duas partes começaram a entender melhor uma o lado da outra. O trabalho árduo da gerência do cruzeiro – com destaque para os irrepreensíveis Manfred (gerente de hotel) e Gianni (maitre), ambos da Costa, responsáveis absolutos por tornar essa travessia uma experiência prazeirosa para mim – acabou fazendo com que, no sexto dia, deixando o Brasil, o serviço finalmente entrasse nos eixos. À essa altura, todos os passageiros já estavam acostumados com o navio e já tinham carinho por seus camareiros e garçons – e a recíproca também é verdadeira. E dali até o final do cruzeiro, não tivemos quase mais motivos para reclamar (inclusive nos trocaram para uma cabine melhor exatamente nesse sexto dia e ficamos satisfeitas).
À bordo, eramos menos de vinte jovens – de resto, terceira idade geral, meia dúzia de crianças e três ou quatro casais em lua de mel que mal eram vistos (razões óbvias). Eu e minha irmã encontramos uma turma muito legal (esses mesmos menos de vinte) e ficamos todos juntos até o último dia, garantindo bons papos durante o dia e noites animadas na disco.
Ok, dou o braço a torcer. Ainda não perdoo o péssimo atendimento que tive por parte da Costa no Brasil nem o descaso da companhia com os passageiros desse cruzeiro em geral. Também continuo achando o Costa Romântica muito mais bonito e aconchegante que o Mistral. Mas que foi uma bela viagem, ah, isso foi.
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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.