O ano novo e nossas viagens: previsões para 2014

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África do SulO que deve rolar no mundinho viajante neste ano que começa

 

 

Na virada do ano, o que não faltam são sites dando previsões mil (economia, política, comportamento, tendências) para o ano que entra. No que se refere ao turismo internacional, os especialistas gringos do setor são unânimes em dizer que brasileiros continuarão viajando cada vez mais para o exterior e que órgãos de turismo oficial de outros países e redes hoteleiras voltarão cada vez mais seus olhos para nós. Para entrar na brincadeira (oi?), listo aqui as minhas “previsões” do que deve rolar com nosso comportamento viajante no 2014 que começa nesta semana.

Black Friday
Brasileiros viajarão com mais dinheiro cash – mas também deve aumentar o uso de cartões de crédito. Depois da “big news” de fim de ano, em que o governo elevou o IOF para cartões pré-pagos e saques em moeda estrangeira para 6,38% (mesmos índices já praticados com os cartões de crédito), acredito que os brasileiros sairão em viagem internacional com mais dinheiro cash nos bolsos (afinal, o IOF sobre a moeda estrangeira comprada em espécie continua de 0,38%). Mas também acredito que continuarão consumindo e comprando tanto quanto antes. E para todo o pessoal que andou perguntando o que eu achei da nova medida, pessoalmente, continuo achando o cartão de crédito, pela segurança, praticidade e pelas milhas que me dá, meu melhor amigo numa viagem internacional (e, como tenho pavor de zanzar por aí carregando somas consideráveis de dindim, continuarei sacando moeda estrangeira em caixas eletrônicos direto da minha conta corrente no Brasil nas poucas ocasiões em que realmente necessitar dinheiro cash lá fora – táxis, comprinhas de rua etc)

Programas de fidelidade

Valorização de milhas/pontos em programas de fidelidade. Enquanto lá fora andam anunciando a “morte dos programas de fidelidade”, já que as quantidades de milhas necessárias para emitir uma passagem não param de aumentar em quase todas as companhias aéreas, aqui, enfim, brasileiros aprenderam a valorizar e levar a sério seus pontos em programas de fidelidade ligados ao turismo. Lembrar das alianças (OneWorld, SkyTeam, Star Alliance) na hora de escolher com que companhia voar nas próximas férias, insistir com o gerente do banco por um cartão que te dê mais milhas, manter controle do seu saldo de milhas e validade das mesmas e fazer planos concretos, a curto, médio e longo prazo para viajar com elas é uma excelente economia de viagem. Milhas juntadas rendem passagens prêmio de todo tipo e também upgrade de classe (econômica para executiva, por exemplo) para uma passagem que você tenha comprado (dependendo das condições de compra, é claro). Das milhas voadas ao dinheiro gasto em algumas redes hoteleiras ou postos de combustível que têm programas de fidelidade também e os pontos acumulados no cartão de crédito preferido (com compras nacionais ou internacionais, tanto faz), vejo cada vez mais amigos, familiares e leitores mantendo controle sobre seus saldos de pontuação e fazendo escolhas sábias na hora de decidir com que companhia viajar, com qual cartão de crédito pagar etc.

Brasil

Mais estrangeiros viajarão para o Brasil. Você já cansou de ouvir o bordão “imagina na Copa” em toda parte. Mas em seis meses estaremos com a Copa do Mundo 2014 bombando no país inteiro. E, não apenas durante o evento e apesar de nossos preços de serviços sempre tão inflacionados, os estrangeiros devem mesmo aportar mais por aqui neste ano que começa. Somos a menina dos olhos em todos os textos de tendências de turismo internacionais: da CNN a publicações tipo Glamour, tá todo mundo apontando o Brasil como um destino hot hot hot para visitar em 2014 – antes, durante e depois da Copa. Poliana que sou, acho mesmo que o chamado “efeito pós-Copa” deve melhorar o turismo para os gringos por aqui, como aconteceu em outros países anteriormente. Oxalá.

Mais pessoas viajarão sozinhas. E mais mulheres viajarão sozinhas. Felizmente, os preconceitos contra viajar sozinho (vou me sentir solitário? vão achar que sou esquisito? vou ficar sozinho o tempo todo? ) mais do que nunca andam caindo por terra (é tanta gente experimentando e dizendo que é gostoso que fica difícil argumentar contra por muito tempo 😉 ) e várias empresas (hotéis, armadoras de cruzeiros, trens, pacotes) estão fazendo promoções sem cobrar o suplemento single ou deixando o suplemento para quem viaja sozinho bem razoável, geralmente entre 10 e 25% a mais do que quem viaja acompanhado paga. E, com muito mais mulheres que homens no planeta, nada mais natural que as mulheres também viagem mais em 2014, inclusive sozinhas 😉

Wifi nos voos

Mais gente ficará conectada nas alturas. Agora que o uso de aparatos eletrônicos como celulares, tablets etc foi aprovado em alguns países inclusive durante decolagem e aterrissagem, essa medida deve se ampliar internacionalmente e cada vez mais gente ficará grudada a uma telinha pessoal durante os voos. A medida de algumas companhias aéreas de permitir que passageiros fiquem conectados à internet durante os voos também deve ser ampliada mundialmente.

wifi grátis

WiFi deve deixar de ser artigo de luxo na hotelaria. Felizmente, muitos hotéis (inclusive grandes redes hoteleiras de luxo) deixaram de cobrar seus hóspedes pelo uso da internet wifi básica em suas instalações neste ano que termina. Devagarzinho, hoteleiros estão entendendo que, sobretudo para as novas gerações, permanecer conectado num hotel é tão essencial quanto ter água quente e eletricidade em sua hospedagem. Hoje o wifi grátis não é mais pressuposto de albergues e (às vezes só no lobby e áreas sociais, às vezes no hotel todo) já é fácil encontra-lo de hotéis de classe turística da Accor a hotéis de luxo do Four Seasons. Ainda assim, com a indústria hoteleira levando mais de 2.1 bilhões de dólares neste ano em “taxas extras”, hotéis muito focados em executivos ainda passarão 2014 mais reticentes em abrir mão desta receitinha tão conveniente da internet paga.

A vibe “faça como os locais” vai pegar. Com as redes sociais como parte cada vez mais indissociáveis do nosso dia-a-dia, os viajantes estão descobrindo a força (e a economia) que serviços “locais” podem ter numa viagem. Os serviços de aluguel de temporada (quarto, apartamento, casa, carro) direto com proprietários (como VRBO, Airbnb, Vayable etc) ganharam força e estilo em 2013 (Airbnb dando treinamento de hospitalidade para seus associados, HomeAway lançando portal exclusivo para aluguel de villas de alto padrão etc), assim como os serviços locais de guias de viagem (de guias brasileiros privativos em diversos cantos do planeta a empresas que apostam tudo nesta fórmula, como a Tours by Locals) – e essas tendências devem bombar em 2014.

Aeroporto

Aeroportos ficarão mais confortáveis. Como passamos cada vez mais tempo metidos neles (exigências de fiscalização, conexões super desfavoráveis, cancelamentos frequentes de voos etc) e viajantes estão pouco a pouco aprendendo a ser mais exigentes, os aeroportos internacionais devem oferecer mais conforto a quem passar por eles. E isso não significa apenas a internet wifi grátis que grande parte deles (até Guarulhos!) já oferece. Cada vez mais salas vip (privadas ou de companhias aéreas) oferecem day use de suas instalações (quando viajantes que não estão em executiva ou primeira classe nem possuem cartões de fidelidade Gold e afins podem usa-las mediante o pagamento de “entrada” – em geral, entre 30 e 50 dólares por passageiro), cantinhos e quiosques oferecem serviços “passa-tempo” de quick massage a postos de Playstation, chefs celebridade abrem restaurantaços nos terminais (de Gordon Ramsay a Michael Voltaggio) e até spas e hotéis cápsulas andam aparecendo em suas instalações.

Preços das passagens aéreas não devem diminuir. Dizem os especialistas estrangeiros que os preços dos tickets para voar nacional e internacionalmente, na média geral do ano, não ficarão mais baratos em 2014. Mas acredito que ficaremos cada vez mais ligados nas ofertas e promoções, elas aparecerão com frequência e, sim, ficaremos sabendo primeiro pelas redes sociais, sempre.

Luxo

Viagem e gastronomia são palavras que andarão cada vez mais relacionadas. Viajar e comer estão entre as atividades preferidas de muita gente. Nada mais lógico que fossem executadas simultaneamente, certo? 😀 Não é de hoje que empresas oferecem roteiros gastronômicos aqui e ali, como viagens eno-gastronômicas pela Borgonha ou itinerários de tapas pela Espanha. Mas cada vez mais pessoas elaborarão seus roteiros valorizando as experiências gastronômicas que podem ter neles, incluindo na wish list novas mecas foodies como a Escócia (que agora tem 17 estrelas no Michelin no total) e destinos com tradição de boa mesa, como as cantinas da mamma na Toscana.

Views Boutique Hote

Hotéis e restaurantes ficarão mais “instagramáveis”. Sim, continuaremos fotografando nossos quartos, fachadas, piscinas e restaurantes de hotel como loucos em nossas férias e escapadas. E, por isso mesmo, já que hoje em dia muita gente pensa em “experiências instagramáveis” (lugares e experiências que caibam num frame do Instagram), mesmo hotéis básicos de rede valorizarão detalhes de design em suas instalações (como os econômicos Ibis Styles) e farão bom uso do próprio Instagram para se conectar com seus hóspedes e futuros hóspedes (como os Four Seasons já fazem muito bem), inclusive garantindo tratamento especial in loco para os seguidores mais engajados.

E você? O que acha de deve rolar no mercado de turismo em 2014?

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.