Rovos Rail

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A incrível jornada em trem de Durban até Pretória, na África do Sul

 

 

 

 

Desde que li O Grande Bazar ferroviário (há mais anos do que eu gostaria de contar 😀 ), morria de vontade de viajar em trem pela África. Mas, sendo mulher e viajando geralmente sozinha pelo continente, acabei sempre deixando essa vontade para depois.

Rovos Rail

Na última viagem pela África do Sul, em agosto e setembro últimos, resolvi ter um tira-gosto da aventura sobre os trilhos sul-africanos, mas em alto estilo: bookado através da Teresa Perez, embarquei numa viagem curtinha do premiado Rovos Rail de Durban a Pretória.

Rovos Rail

A principal companhia de viagens em trem de luxo na África (eles se auto-intitulam “o trem mais luxuoso do mundo”) oferece diversos roteiros pelo continente, incluindo itinerários ambiciosos que misturam trechos em trem, carro e avião, como o que liga a Cidade do Cabo ao Cairo em 35 dias.

Fiz o roteiro mais curto que eles oferecem, de apenas três dias, ligando a bela Durban à Pretória. O trem, com vagões coloniais totalmente renovados puxados alternadamente por vapor, diesel e eletricidade, saiu com bem menos vagões que o planejado: apesar da capacidade de 72 passageiros, eramos apenas 25 a bordo deste itinerário.

Rovos Rail

O embarque em Durban não é dos mais empolgantes; deixo aqui firmemente a sugestão de fazer o roteiro inverso, de Pretória a Durban, com as mesmíssimas visitas programadas e duração. Se em Durban a estação é meio caótica, o lounge da enrolação pré-embarque improvisado e o trem fica mantido nos trilhos do subsolo, na escuridão. em Pretória a coisa é bem diferente: a Rovos Rail construiu ali sua própria estação inspirada nas antigas estações de trem africanas, super iluminada, com o trem partindo exatamente em frente a ela e com um belíssimo lounge no melhor estilo “Out of Africa”. Foi ali que desembarquei e percebi de cara como a vibe dos passageiros que esperavam para embarcar na viagem de volta era outra, bem mais relaxada.

Rovos Rail

Fazendo minha própria "selfie de catálogo" :D

Fazendo minha própria “selfie de catálogo” 😀

O foco do meu roteiro curtinho – chamado Durban Safari – era fazer justamente uma espécie de safári de trem, atravessando a reserva natural Nambiti e a região do KwaZulu Natal (ou simplesmente KZN). No itinerário, paradas para safáris propriamente ditos (fizemos dois), mas também visitas a atrações históricas (como o emocionante Mandela Capture Site e os campos de batalha de Spionkoop ) e organizações artístico-sociais (como a incrível Ardmore Art Collection). O único dia sem escalas foi o último (ou o primeiro, para quem faz o trajeto inverso), passado inteiramente a bordo, enquanto atravessamos as montanhas Drakensberg até chegar a Pretória no final da tarde.

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As paisagens ao longo da viagem, confesso, foram menos sedutoras do que eu esperava. A gente viaja a maior parte do tempo em descampados planos sem muita graça. Vez ou outra, passamos à beira de alguma cidade ou vilarejo, e daí todo mundo vai para o último vagão, que conta com um deck aberto de observação. Era interessantissimo ver como naqueles pontos a ferrovia virava praticamente parte do vilarejo. A paisagem geograficamente mais bonita ficou mesmo para o último dia, montanhosa e com impressionantes cânios, atravessando as Drakensberg.

Rovos RailRovos Rail

A bordo, o serviço é realmente bastante atencioso e as instalações bem confortáveis, com vagão restaurante, lounge para fumantes, vagão social/bar (nos trens maiores, com mais vagões, há dois vagões sociais, o que deve deixar a coisa mais divertida) e um deck aberto para observação. Tendo já viajado em outros trens de luxo em outros continentes, discordo da coisa de “trem mais luxuoso do mundo”; mas o serviço, é claro, é de alto nível.

Rovos Rail

As cabines comuns (como eu fiquei) todas contam duas camas single ou uma de casal, uma mesinha com duas cadeiras, armários e banheiro completo, além de bastante espaço no alto inteligentemente projetado para quem viaja com muita bagagem guardar as malas.  Debaixo da mesinha, um boiler, café solúvel e chá. As suítes, bem maiores, têm saletinha e banheiro com banheira – isso sim uma raridade nos trens de luxo.  As amenidades não são das mais luxuosas: a gente recebe no check in uma pequena necessaire com o básico (shampoo, condicionador, shower gel, hidratante etc) de uma marca local. Chama mais atenção o ótimo espumante sul-africano deixado geladinho dentro do frigobar como boas-vindas 🙂

Outra "selfie de catálogo" :D...

Outra “selfie de catálogo” :D…

... e o meu banheiro

… e o meu banheiro

O mais interessante é que a Rovos Rail continua sendo uma empresa totalmente familiar desde sua criação em 1989 por Rohan Voss. No itinerário, tudo está incluído: refeições, bebidas alcóolicas e não alcoolicas e excursões. Cada duas ou três cabines ficam sob os cuidados de uma camareira diferente – a minha, Dinah, era pura atenção e doçura. Sem contar que há serviço de arrumação literalmente a cada vez que se deixa a cabine, o que achei fenomenal.

Dinah <3

Dinah <3

O serviço é cálido e atencioso e conta com tripulação internacional, cujas idades variam muito. As refeições têm horário fixo pré-determinado mas cada um senta onde quiser, com serviço à la carte mas mais informal. A gastronomia é caprichada (3 passos no almoço e 4 passos no jantar), com cada prato harmonizado sempre com um vinho sul-africano diferente. Ao sairmos para as excursões (em ônibus grandes comuns e bem antigos) e também ao regressarmos, encontrávamos sempre uma bebida geladinha nos esperando antes de entrarmos no trem – afinal, era comecinho de setembro e ainda fazia muito calor por lá. As excursões, aliás, estranhamente nunca eram guiadas; mas tinha sempre algum membro do staff (um garçom, uma camareira ou um dos barmen) nos acompanhando, just in case 

Rovos Rail

O trem se desloca entre as escalas ao longo do dia, mas fica parado todas as noites (geralmente entre 23 e 6h), para facilitar o sono de quem é mais sensível ao chacolhar dos vagões. O traje durante o dia é puramente esporte, casual, confortável; fazia muito calor, então a maioria dos passageiros usava bermuda e camiseta. À noite, os passageiros se arrumavam um pouquinho mais para jantar, mas nada exagerado ou formal. Entre um passeio e outro, há quem opte por ficar no sossego da sua cabine, mas a maioria dos passageiros ficava mesmo é no vagão social/bar ou no deck de observação batendo papo.

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A viagem foi deliciosa mas passou muito, muito rápido. Quero fazer de novo, mas definitivamente um roteiro mais longo – suponho que estes sejam mais interessantes em todos os sentidos, inclusive para efeito de entrosamento entre os passageiros (quando estavamos todos entrosados, enfim, a viagem terminou…). E confesso que fiquei com invejinha de alguns casais que continuariam no trem no dia seguinte até as Victoria Falls, o que seguramente deve ter sido um complemento e tanto para a viagem.

 

Em tempo 1: para os solo travelers, vale o disclaimer: essa viagem é bastante pensada para casais, inclusive na própria disposição das mesas no vagão restaurante. Eu era a única passageira viajando sozinha.

Em tempo 2: para informações específicas sobre preços, saídas e itinerários disponíveis para o final de 2016 e para 2017, entre em contato com a Teresa Perez.

Em tempo 3: para chegar e sair do trem usei excelentes serviços de transfer bookados com a Teresa Perez Tours (Durban) e com a Magariblu (Pretória) e recomendo muito ambos.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.