Safári na África do Sul

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Como escolher bem onde se hospedar e fazer safáris no país

 

 

 

Costumo dizer que sou igualzinha a uma criança quando o assunto é safári: já fiz inúmeros, em diversos locais, e ainda sinto a mesma excitação, prazer e friozinho na barriga da primeira vez a cada vez que saio para um. Sou apaixonada por esta experiência. Só nesta última viagem à África do Sul, foram dez saídas para game drives – a maior quantidade de safáris que eu já tinha feito numa mesma viagem – e juro que não cansei.

Casal de leões do ladinho do meu carro <3

Casal de leões do ladinho do meu carro <3

Em se tratando deste país especificamente, e tendo feito safáris no Kruger Park, em diferentes reservas privadas do Great Kruger e também nas chamadas game farms de diversos outros lugares da África do Sul, posso dizer que conheço um pouquinho do assunto.

safári na África do Sul

Vamos por partes: há diferentes maneiras de se fazer um safári/game drive. No Kruger Park, por exemplo, existem diversas áreas e rotas em que podemos fazer o self drive safari: um safári que funciona como antigo Simba Safari de São Paulo em que nós mesmos vamos dirigindo nosso veículo por rotas pré-determinadas para ver alguns animais de perto. É possível comprar tours, mas muita gente opta por dirigir o carro alugado. A gente chega perto dos animais, mas com restrições, já que só podemos trafegar pelas rotas determinadas pelo parque; e, se você estiver dirigindo, tem que ser mega paciente e ultra responsável para encarar dirigir tão pertinho da bicharada. Além de ser bom em dirigir com mão inglesa, é claro. Por isso mesmo este tipo de safári não está entre os meus preferidos: eu prefiro estar com um ranger cheio de conhecimento e responsabilidade que me guie por entre os animais e me explique sobre o comportamento deles enquanto me dedico a apenas contemplar e fotografar os mesmos. Neste tipo de safári, crianças de todas as idades costumam ser aceitas pelas operadoras locais de safári.

safári na África do Sul

Nas chamadas game farms, acontecem safáris um pouquinho mais emocionantes: a gente vai em carros semi-abertos, geralmente grandes Land Rovers ou similares, com um ranger. O ranger é um cara (ao menos em teoria, porque exceções infelizmente existem) com profundo conhecimento do comportamento da fauna e da flora locais que funciona simultaneamente como motorista do carro e guia do passeio. Muitos lodges estão localizados em game farms; ganham este nome porque são propriedades dedicadas a safaris mas com fronteiras bem definidas. Há diversas game farms espalhadas pelo país com lodges em seu território ou nos arredores, incluindo nas proximidades de grandes cidades como Joanesburgo, Cidade do Cabo ou Port Elizabeth, por exemplo. Já fiz em locais nos quais era hóspede do lodge e em vários nos quais tinha adquirido apenas o passeio avulso.

Carros parcialmente abertos nas game farms

Carros com cobertura e sem tracker nas game farms

Nas game farms, os rangers conhecem exatamente o território da “fazenda”, andam sempre por rotas pré-definidas na propriedade e sabem exatamente que animais e em que quantidade habitam por ali – o que, cá entre nós, tira parte da graça do passeio na minha opinião. Acho os safáris sempre uma delícia, mas eles já costumam avisar de antemão, por exemplo, se “têm” os Big5 ali ou não, antes mesmo de começar o passeio, e que animais vamos encontrar. Neste tipo de safari, a gente costuma chegar bem mais perto dos animais, já que os rangers conhecem bem seus comportamentos e sabem até onde podem se aproximar. Mas eles não operam off-road; então a gente só chega mesmo perto se os animais em questão estiverem próximos às rotas que eles utilizam. Na reserva Nambiti, por exemplo, pros lados de Durban, vimos de perto elefantes, zebras e girafas, mas hipopótamos e rinocerontes só de muito longe; muita gente precisou até do binóculo para vê-los. Também é preciso ressaltar que algumas fazendas lamentavelmente separam leões dos outros animais com cercas de alta tensão, como espécies de jaulas gigantes 🙁

safári na África do Sul

E existem as reservas privadas. Algumas delas são demarcadas por cercas, como as game farms; outras têm fronteiras que não são demarcadas fisicamente por um cercado, permitindo livre trânsito de animais in e out. E justamente estas últimas, na minha opinião, oferecem os melhores safáris: a gente nunca sabe o que vai ver, quando vai ver, se vai ver e pode apreciar melhor a própria experiência da savana em si.

Os melhores safáris da minha vida foram todos em reservas privadas do chamado Great Kruger, que são as reservas adjacentes aos limites públicos do Kruger Park (destaco sem pensar duas vezes as reservas Sabi Sands e Manyaleti, sem cerca para o Kruger e com uma variedade e abundância surreal de fauna e flora). Muitas destas reservas não têm cercas para o parque, apenas para a estrada; assim os animais têm ali também livre trânsito entre as reservas e o próprio Kruger. Aqui, a maioria só aceita crianças acima de 6 ou 8 anos de idade; alguns lodges não aceitam crianças.

Os carros abertos dos safáris mais legais

Os carros abertos dos safáris mais legais

São muitas as coisas que eu prefiro neste tipo de safári. A começar pelos carros totalmente abertos, fazendo a gente se sentir ao mesmo tempo ultra expostos mas também ultra integrados ao ambiente e animais que que nos rodeiam. Os carros nestes locais contam com uma cadeirinha bem na frente, sobre o capô, onde vai uma figura na minha opinião essencial a um bom safári: o tracker. Safári sem tracker perde metade da graça pra mim; com eles há sempre emoção, busca, efeito surpresa. E, com eles, a gente sempre chega invariavelmente muito, muito perto dos animais. Perto tipo cara-a-cara mesmo, com o carro enfiado em meio a leões ou elefantes, por exemplo – mas com toda a segurança. O bom ranger e o bom tracker sempre sabem até onde ir com segurança para os turistas e mantendo o respeito ao espaço e à liberdade do animal. E normalmente fazem briefings bem melhores antes do nosso primeiro safari, explicando porque não podemos levantar, falar alto ou colocar os braços para fora do veículo, por exemplo.

O ranger dirigindo e o tracker direcionando a brincadeira lá na frente

O ranger dirigindo e o tracker direcionando a brincadeira lá na frente

O tracker é o cara que manja tudo das savanas e dos animais. É capaz de distinguir as pegadas de tudo quanto é tipo de bicho mesmo na areia batida, cheia de marcas de pneus. Sabe de QUANDO é aquela pegada. E é essencial nos locais com trânsito livre de animais porque o que encontramos pelo caminho depende dele: ele tem olhos de lince para identificar tudo na savana e dá o tempo todo as coordenadas ao ranger sobre por onde dirigir para chegar ao que os turistas mais querem ver. Sem contar que costuma ser também a figura mais emblemática do safári, cheio de boas histórias.

A foto do Eric, meu tracker no Tintswalo Safari Lodge, que viralizou na internet no finalzinho de julho passado

A sensacional foto do Eric, meu tracker no Tintswalo Safari Lodge, que viralizou na internet no finalzinho de julho passado com ele em ação durante um safári

Com ele, o ranger faz off-roads o tempo todo para garantir que a gente veja o máximo possível de vida selvagem e nas melhores condições possíveis; o carro não circula apenas pelas rotas traçadas na propriedade, mas passa por cima dos arbustos destruídos pelos elefantes, corta riachos, cruza lagos. O tracker é o cara que faz a gente conseguir chegar ao furtivo leopardo, aos leões que estão de boa dormindo (ou bebendo água, ou acasalando, ou comendo a presa ou whatever). É o sujeito corajoso que tá lá, perninhas literalmente pro ar, praticamente arriscando um corpo a corpo com leões, elefantes, rinocerontes, búfalos, leopardos etc ao redor do carro enquanto a gente fotografa as feras de pertinho.

Leopardo: geralmente a gente só chega nele com um bom tracker

Leopardo: geralmente a gente só chega nele com um bom tracker (e uma bela dose de sorte)

Só que, via de regra, os melhores rangers e trackers são disputados a tapa pelos melhores lodges; e os melhores lodges costumam ser também os mais caros. Os mais caros para se hospedar e os mais caros para safaris avulsos. Se eu acho que vale pagar mais pelo melhor safari? Acho que vale cada centavo. Se eu acho que vale a pena pagar para ficar num lodge de safári? Também acho que vale cada centavo. Vivenciar o local, aproveitar o contato visual com diversos animais a passos do seu quarto, acordar direto para o primeiro safári antes das seis da manhã… acho tudo isso parte importante da experiência do safari.

safári na África do Sul

As experiências de safári que tive nestas reservas privadas do Great Kruger que mencionei acima, me hospedando em lodges como Sabi Sabi, Royal Malewane, Thornybush River Lodge e Tintswalo Safari Lodge foram absurdamente superiores, em todos os sentidos, às demais experiências de safari que tive em outros cantos da África do Sul. Tive nelas os melhores rangers, os melhores trackers e o contato mais intenso e inesquecível com a vida selvagem. Recomendo todas estas propriedades citadas acima igualmente, sem distinção, e com absoluto entusiasmo – elas têm custos bastante elevados, mas operam em sistema tudo incluído (incluindo até serviços de lavanderia em algumas delas) e têm serviços de fato bastante superiores, seja no trato do staff, na cozinha, nos safaris (com um máximo de 6 pessoas por veículo, o que faz muita diferença), nas instalações etc, o que acaba criando uma interessante relação custoXbeneficio no final das contas.

Elefantes bebendo água quase grudados na varanda do Tintswalo

Elefantes bebendo água quase grudados na varanda do Tintswalo

Mas há, é claro, opções de safári e lodges para todos os bolsos e para todos os perfis de turista. O que está incluído no preço da diária muda muito de uma propriedade para outra. A maioria dos lodges do gênero inclui dois safáris diários (um ao amanhecer e outro no finalzinho da tarde), café da manhã e jantar. Alguns incluem almoços, outros chá da tarde, alguns incluem bebidas, outros não. Tem até alguns que, vejam só, cobram os safáris a parte. E todos, invariavelmente, cobram suplemento para quem viaja sozinho, infelizmente.

Aqui eu quis deixar apenas o relato das minhas experiências de muitos anos fazendo safári e me hospedando em distintos tipos de lodges na África do Sul porque recebi muitos questionamentos de leitores sobre o tema durante a minha viagem, sobretudo via Snapchat. Vários me contaram inclusive sobre experiências que tiveram com rangers mal preparados em alguns lodges ou sobre a frustração de reservar um lodge numa fazenda achando que estava reservando numa grande reserva de vida selvagem. Por isso mesmo, pesquisar, perguntar, ler, fuçar na web, trocar emails com a propriedade ou seu agente de viagens é essencial para descobrir o local – seja para simplesmente fazer safari ou para se hospedar – que mais vai de encontro com suas necessidades, vontades e possibilidades.

Quem tiver dicas de lodges legais deste gênero onde se hospedou na África do Sul e/ou safáris legais que fez no país, please, deixa na caixinha de comentários.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.