Será que autores de guias de viagem vão mesmo para o inferno???

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Como jornalista, sei muito bem que cada publicação de turismo tem regras bem claras quanto à conduta do profissional que escreve para ela: enquanto algumas permitem normalmente que seus jornalistas aceitem convites de hotéis, operadoras e companhias aéreas para viajar para o destino sobre o qual escreverão, outras não permitem que se aceite sequer um cafezinho em nome da imparcialidade. As regras são sempre claras e dependem mesmo da linha editorial de cada veículo. De um modo ou de outro, o que conta mesmo é a ética do profissional: saber ser coerente e objetivo o suficiente na hora de escrever sobre um destino ou hotel, independentemente de ter sido convidado ou ter pago para conhecê-lo – e, claro, é requisito BÁSICO e FUNDAMENTAL que ninguém escreva sobre locais que nunca visitou, certo?
Pois nesta semana um dos principais autores da série de guias de viagem Lonely Planet – umas das mais importantes do mundo, vendendo mais de 6 milhões de guias por ano – admitiu ter inventado e plagiado grande parte do conteúdo de seus livros. O depoimento, publicado pelo jornal australiano Sunday Telegraph, foi tirado do novo livro do próprio Thomas Kohnstamm, intitulado “Do Travel Writers Go To Hell?”.
Questionado pelo jornal, Kohnstamm também afirmou que plagiou e falsificou informações dos guias da série referentes a Brasil, Colômbia, Caribe, América do Sul, Venezuela e Chile. Como se não bastasse, admitiu também que aceitava convites para viajar de graça, contrariando a política expressamente restritiva da empresa. E, o golpe mortal: confessou que sequer visitou a Colômbia, ainda que tenha escrito o guia sobre o país inteirinho: “Não me pagaram o suficiente para ir para lá e escrevi o livro em São Francisco mesmo, pegando as informações com uma estagiária do consulado colombiano com a qual eu estava saindo”, confessou, na maior cara de pau.
Ainda que a Lonely Planet tenha confirmado, assim que a notícia foi publicada, que revisou todos os trabalhos de Kohnstamm antes de publicá-los e que nunca teria encontrado nenhuma incoerência ou informação errônea, como jornalista já sinto um nó na garganta. Mesmo que nunca tenha escrito sobre um destino que não conheci ou falado bem de um serviço ruim, e conhecendo outros vários jornalistas extremamente éticos do setor, dá medo da reação dos leitores em geral quanto à confiabilidade dos veículos especializados. Como consumidora dos guias Lonely Planet – e mais trocentos outros guias e revistas especializados- fiquei com raiva. Será que a maioria dos autores de guias de viagem e jornalistas de turismo vão mesmo para o inferno??? Espero estar sã e salva ;)))))))

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.