Tintswalo: guarde esse nome

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O que há de especial nesta coleção Tintswalo de lodges sul-africanos?

 

 

 

 

Confesso que tinha lido e ouvido pouco sobre as propriedades Tintswalo (cujo significado seria “compaixão”). Boas recomendações e reviews e a presença em hot lists em revistas internacionais tinham me chamado a atenção eventualmente.  Mas conheci de fato a rede de lodges de luxo sul-africanos quando uma de suas propriedades se incendiou em Hout Bay, na Cidade do Cabo.

A propriedade foi, então, totalmente reconstruída a partir da estaca zero em apenas um ano, ganhando inclusive outro contorno – embora alocado no mesmíssimo lugar. Daí noticiou-se mais largamente o fato na imprensa especializada internacional – até porque boa parte dos jornalistas que a visitavam garantiam que ela teria ficado ainda melhor e mais bonita do que era antes.

Quando uma amiga sul africana de extremo bom gosto me disse que eu TINHA que conhecer suas unidades, que estavam entre suas preferidas na hotelaria do país, não discuti – aproveitei a viagem de agosto do ano passado para passar alguns dias em cada um deles. E ela estava certa.

Com a unidade incendiada 100% reconstruída na Cidade do Cabo e duas outras unidades bem tentadoras – uma em Joanesburgo, outra no Kruger – a rede Tintswalo casa bem com o itinerário básico dos brasileiros no país: Cabo, Joburg, Kruger. Sempre com design caprichado, decoração primorosa, cozinha caprichada e unidades pequenas, para poucos hóspedes, para garantir o serivço super cálido e personalizado que lhes fez a fama.

 

Tintswalo Atlantic

Meu primeiro contato com os hotéis Tintswalo foi logo na chegada ao país nesta última viagem, na Cidade do Cabo: o Tintswalo Atlantic fica em Hout Bay e é o único hotel da cidade localizado dentro do Table Mountain National Park. Instalado numa praia de freixos, é rodeado de muito verde (uma sucessão de fynbos impressionante!) e conta com uma espetacular vista desobstruída para o Oceano Atlântico e as montanhas de qualquer cômodo do hotel.

Para quem visita a Cidade do Cabo pela primeira vez, pode mesmo parecer fora de mão – first timers geralmente preferem ficar nos hotéis mais próximos do Waterfront. Mas para quem já conhece a cidade, não precisa fazer de novo todos os lerês turísticos e quer também um pouco de sossego em parte do dia, é a pedida ideal (mas daí precisa mesmo de carro alugado ou usar táxis e tours para os passeios e saídas).

Arquitetonicamente planejado com perfeição, e dada a geografia montanhosa da região e a localização do lodge horizontal de apenas um andar à beira-mar, é muito, muito difícil conseguir visualiza-lo de qualquer canto dos arredores. Até mesmo da entrada da propriedade e área de estacionamento, no alto, à beira da estrada, onde um carrinho do hotel nos “recolhe”, não dá para vê-lo.

O lodge, com muito vidro e luz natural em absolutamente todos os cômodos, é composto apenas de 11 suítes. Não há lounge nem recepção: a gente é recebido pelo casal de gerentes na sala de estar, com um drink e bate-papo, como se estivesse chegando na casa de praia de amigos.

As onze suítes são todas coloridas, espaçosas e incrivelmente bem decoradas, com varanda privativa – e contam todas com banheiros surreais com imensas janelas de vidro, como nos quartos, para não perder a paisagem deslumbrante nem por um minuto (mas com proteção natural (plantas, bambus etc) para garantir total privacidade). Cada uma recebeu o nome de uma ilha diferente (a minha era Zanzibar) e, por isso mesmo,  tem decor absolutamente diferente – incluindo as incríveis portas de cada uma delas. Biscoitinhos e um delicioso cape port artesanal fazem parte do impressionante set de amenidades de cada quarto.

O staff é pequeno mas absolutamente encantador, sem medir esforços para atender o hóspede – e sem economizar sorrisos. O café da manhã incluído na diária é preparado na hora para cada hóspede que chega e servido com esmero – e, melhor de tudo, pode ser servido literalmente a qualquer hora do dia para quem quiser descansar e colocar o sono em dia. A melhor pedida é pegar as diárias com meia pensão, que incluem também o jantar à la carte, com cinco passos, todas as noites – jantar irretocável, tanto que em todas as noites que estive ali tinha gente de outros hotéis indo jantar lá.

Quando a temperatura sobe, eles montam uma estruturinha de praia ali sobre os freixos mesmo. Como quando fui era ainda inverno (agosto), a pedida era curtir a piscina aquecida, as trilhas para caminhada e os deliciosos e múltiplos decks para contemplar a paisagem. É possível solicitar massagens no quarto também.

Com tantas visitas diferentes à cidade, hoje em dia conheço muitos hotéis de luxo na Cidade do Cabo. E posso afirmar categoricamente: o Tintswalo Atlantic foi, sem dúvidas, o melhor em que já me hospedei até hoje por lá.

 

Tintswalo Safari Lodge (Kruger area)

Ficar num lodge de safári é sempre o momento mais especial para mim em qualquer viagem sul-africana – tenho verdadeiro encanto por este tipo de hotel, pela vibe de aventura, pelo contato sempre frequente com os outros hóspedes, a ansiedade nos safáris ao amanhecer e nos finais de tarde, o climão “out of Africa” dos quartos. E o Tintswalo Safari Lodge foi uma tremenda surpresa.

Claro que depois de ficar na unidade da Cidade do Cabo eu já imaginava que seria outra tremenda experiência hoteleira. Mas já adianto que, em todos os sentidos, superou todas as minhas expectativas. Para mim, se equiparou completamente às experiências de hospedagem que tive no Royal Malewane e no Sabi Sabi – dois igualmente incríveis lodges, mas mais overpriced.

O lodge fica dentro da reserva privada Manyeleti, que faz fronteira com o Kruger mas sem nenhum tipo de cerca para fazer esta divisão. Ou seja: dia e noite os animais se deslocam livremente entre o Kruger e a reserva – e, muitas vezes, assisti de camarote – enquanto comia, usava a piscina ou aproveitava o sossego para ler – eles desfilando bem em frente ao hotel.

Os poucos quartos do lodge são em formato villa (com um design externo bem peculiar, como dá pra ver na foto acima), todos conectados entre eles e com as áreas comuns por lindas passarelas de madeira. Cada quarto ganha o nome de um explorador famoso e, dentro, a decoração não poderia ir mais de encontro ao nosso imaginário quando falamos de safáris na África: um mix perfeitinho de texturas, padronagens e objetos locais, com muita luz natural através das paredes de vidro do chão ao teto, com a cama bem de frente para a paisagem. Em cada quarto, um deck privativo de madeira com piscina e espreguiçadeiras – foi de dentro desta piscina que por várias vezes vi passarem babuínos, impalas e manadas de elefantes bem diante dos meus olhos. Os banheiros, enormes, têm banheiras old fashion bem em frente às portas de vidro que podem ser abertas para as savanas.

Com tempo bom, as refeições são sempre servidas ao ar livre – café da manhã, almoço e jantar -, acompanhadas de um delicado e sorridente staff. O café da manhã, à la carte, servido no retorno do primeiro safári do dia, era extremamente farto como é de praxe nos lodges de safári. O almoço, servido já quase no meio da tarde, era geralmente substituído por algo mais light, como um chá da tarde – e geralmente com elefantes aparecendo para beber água bem em frente ao deck do restaurante bem nesse horário. O jantar, iluminado pelo fogo ou luminárias a querosene, era caprichadissimo, com quatro passos todas as noites. E a cada vez que saíamos ou voltávamos de um safári, lá estavam os funcionários enfileiradinhos no deck de embarque nos jipes com água e toalhas geladinhas à nossa espera.

No lodge, praticamente tudo está incluído: as refeições, as bebidas durante as refeições, os safáris em duas edições diárias e seus drinks, o frigobar dos quartos e até a lavanderia, diariamente (uma maravilha, já que as roupas que usamos nos safáris, com tanta poeira, acabam voltando sempre bem sujinhas).

A foto do Eric que viralizou…

… e todo relax no café com amarula nosso de cada safári

Tive a sorte de ter ranger e tracker maravilhosos. Pacientes, didáticos, bem humorados e ultra talentosos,  nos mostraram os big five sem dificuldades. O tracker Eric, que tinha ficado mundialmente famoso um par de semanas antes quando uma foto sua encarando uma leoa viralizou no Instagram, tinha olhos de lince: era capaz de avistar leões, leopardos e outros animais a distâncias impressionantes, a olho nu. Fiz com eles alguns dos melhores safáris que já fiz.  Hotelaço. Mesmo.

 

 

Tintswalo at Waterfall (Joburg)

Joanesburgo deixei por último porque a unidade Tintswalo de lá distoa muito em todos os sentidos das outras duas. No fundo, nem parece parte da mesma rede. Não me entenda mal: o hotel é muito bom – mas não tem o mesmo charme nem a mesma calidez e excelência em serviço das outras duas.

O Tintswalo at Waterfall fica instalada no distrito de Kyalami, com o lodge em estilo “casa grande” bem de frente para um belíssimo campo de pólo. A decoração é toda inspirada no mundo do pólo e dos cavalos – não apenas nos objetos de decor e detalhes, mas na própria distribuição dos espaços públicos e dos quartos enfileirados como numa estrebaria, Tem quartos enormes com banheiros caprichados e varandas com vista para o campo e gastronomia bem caprichada – até mesmo para o room service (você pode escolher qualquer prato do menu do restaurante e pedir para servirem no quarto). O serviço é simpático, ainda que a equipe estivesse visivelmente bastante tensa durante minha estadia com um grande evento empresarial e uma despedida de solteira que aconteciam lá simultaneamente.

Gostei bastante do hotel mas, na verdade, não recomendaria a estadia lá. O hotel em si é muito bom, mas a região onde está é parte da grande Joburg e muito afastada de todas as atrações turísticas; fica extremamente fora de mão. Com o trânsito da cidade, significa acabar passando muito mais tempo no trânsito que passeando de fato a cada vez que sair do hotel. Acho que funciona para quem vai só fazer um pernoite na cidade e depois voltar para o Brasil ou seguir viagem logo cedo – porque fica a uma distância conveniente do aeroporto e tem um grande shopping center bem perto.

Mas para quem quer curtir as atrações turísticas, os bairros descolados e a cada vez melhor gastronomia da cidade, recomendo muito mais o descolado boutique The Peech, de onde a gente consegue facilmente se deslocar, sem estresse. Ou, melhor ainda, o excelente Athol Place, um hotel boutique absolutamente encantador BEM melhor localizado, num charmoso bairro residencial de Joburg – e com serviço mais consistente, cálido e personalizado (dos melhores hotéis que já fiquei na cidade, e ainda com chancela Relais&Chateaux). Quartos charmosos com vista para a piscina e muito verde, áreas comuns caprichadíssimas mas com jeitão de casa, staff ultra atencioso e um restaurante que por si só já valeria a visita para jantar.

 

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.