Uma viagem express no mítico Transcantábrico

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Adoro trens. Adoro mesmo. Curto muito aquela aura meio romântica das viagens de trem, o ambiente das estações (sobretudo as mais antigas), o barulhinho do trem chegando, o balancinho da viagem (é o único transporte, além de navio, que me dá soninho hehehe) e o people watching delicioso pré, durante e pós viagem, em qualquer parte do mundo. 
Foi de trem que fiz algumas das viagens mais lindas da minha vida, como o trecho Lucerna-Interlaken, na Suíca, e Oslo-Bergen, na Noruega, por exemplo. E sempre sonhei com uma viagem no Orient Express, bem à moda antiga.

Imaginem então o prazer de me juntar, ainda que por poucos dias, a uma viagem do mítico Transcantábrico, que atravessa, claro, a rota do mar Cantábrico pelo norte da Espanha, de San Sebastian a Santiago de Compostela ou o roteiro inverso, dependendo das saídas. E das coisas boas de ser jornalista: como eu não tinha nem tempo e nem dindim pra fazer o roteiro completo, por uma semana, e como dois casais abandonaram o roteiro San Sebastian-Santiago na metade (um por motivos de saúde, o outro por chilique), o pessoal da Féve, que administra os trens, me permitiu fazer o roteiro só nos três últimos dias, das Astúrias à Galícia.

Os estreitos e românticos corredores, com duas cabines por vagão

Que viagem! Não bastasse o roteiro lindo – fiquei moooorrendo de arrependimento de não  ter feito a viagem desde o começo, saindo do País Basco, atravessando “Espanhas” tão diferentes de uma só vez!) – o trem é tudo aquilo que lemos, vimos em reproduções antigas, imaginamos. São 11 vagões para passageiros, sendo apenas 28 viajantes no total. Os vagões, de quase um século, foram totalmente restaurados, mantendo todo aquele charme romântico do início do século passado mas oferecendo todos os confortos de nossa vida moderna, como wifi grátis, televisões de tela plana, ar condicionado etc.

O “quarto” propriamente dito da cabine

 Eu entrei no finzinho do roteiro que começou no País Basco e fui super bem acolhida pelos demais 17 passageiros – entre espanhóis, mexicanos, belgas, finlandeses e uma fofa solo traveler brasileira também. Acabaram me tratando como um chaveirinho, me achando uma jovem estudante brasileira hahahaha (adoUro!).  O grupo já estava bem entrosado e era animadíssimo, composto em sua maioria por casais mas também por duplas de mãe e filha.

A saleta da cabine

 Na versão Gran Lujo (existe também a versão Clássico e outros dois trens mais simples de roteiros semelhantes), cada uma das 14 cabines é dividida em 3 ambientes pequenos, mas bastante eficientes: “quarto” com cama queen, saleta com sofá, mesinha, pufes e computador e banheiro, com uma maravilhosa ducha dessas de cabine, com chuveiro normal, ducha escocesa e sauna. A água, por sinal, é farta o tempo todo e a temperatura somos nós mesmos que regulamos individualmente, assim como o ar condicionado. LCD na área da cama e outra também na saleta, amenities Loewe, roupões etc – só os chinelinhos que eram mesmo de material bastante simples e descartável.

A ducha bacanérrima, e fechadissima, pra evitar molhadeiras durante o vuco-vuco do trem

 Mas, no fundo, a gente nem passa tanto tempo assim no trem, não; como o trem se move bastante (não imagino como o povo dormia naquelas liteiras antigamente!), as noites são sempre passadas estacionados em alguma estação, para que o sono possa ser tranquilo. Logo cedo, o mexe-mexe recomeça até a primeira estação de destino do dia e é nesse vuco-vuco que tomamos o nosso café-da-manhã no charmoso Salón Restaurante. Um ônibus acompanha o trem durante todo o trajeto e transporta os viajantes para as escalas e excursões – está tudo incluído, num esquema roteiro fechado mesmo. Em cada parada, um tour rapidinho e bem superficial, e depois tempo livre pra cada um percorrer a área ou cidade do seu jeito.

A cabine vista do banheiro

 Exceto pelo café da manhã, a maioria das refeições acontece fora do trem também. Eu, que só fiquei 3 dias a bordo (de Gijón a Santiago de Compostela) fiz todas em belíssimos restaurantes escolhidos pela empresa – em cada um, um menu fixo de 3 ou 4 passos, com água e vinho à vontade, mais café e chupitos (licores) ; as refeições também estão sempre incluídas.

O kit de amenities Loewe de boas vindas

 No restante do dia, voltávamos à tarde para o trem, para percorrer mais alguns quilômetros por duas, duas horas e meia de viagem, até o destino seguinte. Alguns usavam esse tempo para a siesta, outros para internet, outros para um bom café no vagão Salón Bar ou leitura de livros, jornais e revistas no vagão Salón de Té.

O vagão Bar e uma das jovens tripulantes

 A tripulação é bastante, bastante jovem, e composta de apenas 5 pessoas, chamados de comissários, que fazem um pouco de tudo – poderiam ser mais simpáticos, sem dúvida, mas são bastante eficientes.

O vagão Disco Pub, para todo fim de noite

 O final de tarde sempre incluía mais um tour ou passeio e, lá pelas nove, íamos todos jantar, nos mesmos moldes do almoço. De volta ao trem lá pela meia-noite, ainda dava tempo de tomar um drink (pago à parte), dançar ou participar de uma das noites de karaokê (ui!) no vagão Salón Disco Pub. E a turma – com destaque absoluto para os espanhóis – era animadíssima!

O vagão Salão de Té, utilizado para jogos, leituras e altos papos

 Como funciona? Bom, o investimento é alto:  tem várias promoções o ano inteiro, mas o preço de catálago para o Gran Lujo, na alta temporada, é de até 3750 euros a semana, por pessoa, em cabine dupla, incluindo todas as refeições com vinho em abundância incluído (vinhos excelentes, por sinal) e todas as bebidas não alcoólicas no trem, incluindo frigobar, além dos passeios e tours desde o embarque até o desembarque. A versão Clássica e o La Robla têm preço bem mais acessível.

O vagão Bar

A simpática guia Bárbara contando suas histórias e lendas numa das paradas

 Se vale o quanto pesa? Bom, isso depende mesmo do gosto de cada um, do tipo de viagem que se busca, do tempo que se tem disponível, se encaram viagens em grupo ou não etc.

O animado grupo multinacional fazendo pose pra foto em Luarca

Particularmente, eu, que sempre curti essa atmosfera dos trens tipo-propaganda-da-Chanel, achei bem legal e fiquei com vontade de um dia fazer o roteiro inteiro, por uma semana (3 dias passaram muito, muito rápido) – e, claro, como mais vontade ainda de um dia viajar no Orient Express 😉

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.