Valentine´s Day às avessas

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ParisSeria um destino romântico suficiente para salvar um relacionamento?

 

Somos um dos poucos países a não comemorar o “dia dos namorados” no dia de são Valentim. Quem já viajou para o exterior por volta do dia 14 de fevereiro certamente viu em vários países diferentes vitrines de lojas forradas de corações vermelhos, outdoors gigantes com casais espalhados pela cidade, menus especiais para a data nos restaurantes – e seguramente viu como as diárias de hotéis nos destinos mais turísticos ficam mesmo mais caras nesse período.

Curiosamente, há mais de uma década, passo a maioria dos Valentine´s Days (14 de fevereiro) fora do Brasil. E, na contramão da chamada “data mais romântica do ano”, ao mesmo tempo que testemunhei a vibe “love is the air” nos destinos (e os hotéis e destinos lá fora realmente são craques em promover a data), vi também muitos casais discutindo feio, até no meio do jantar romântico da data, e até mesmo em Paris.

Paris, veja bem, Paris! A cidade dos apaixonados, dos cadeados que já não cabem mais na Pont des Arts e migraram também para outras muitas pontes da cidade, do oh la la mon amour. Mas, verdade seja dita, foi em Paris que eu tive os primeiros sinais de que meu casamento estava chegando ao fim.  E alguns outros amigos vivenciaram a mesma coisa, em épocas e relacionamentos distintos. Porque, sejamos francos: se o seu romance não vai bem em Paris ou vocês não estão felizes juntos na cidade, tem mesmo algo de muito errado… com o casal.

Uma amiga me contou que teve o maior arranca-rabo com o namorado na segunda noite em Veneza . De uma hora pra outra, ao invés de continuarem o clima de la vita é bella com que tinham desembarcado na estação de trens Venezia Santa Lucia no dia anterior, começaram a prestar mais atenção no cheiro que vinha dos canais, nas praças lotadas, nos japoneses zanzando de gôndola pra lá e pra cá (“ridículo alguém querer passear nessas gôndolas bregas”, bradava o cara), no chão antigo que rangia no hotel de luxo, no preço exorbitante do prosecco e do cappuccino em alguns lugares.  E nem era alta temporada. Mas o problema, no final, não era Veneza, capicce?

Um antigo colega de trabalho terminou um relacionamento de dois anos durante uma romântica semana de pedaladas por entre vinhedos e degustações divinas na região de Bordeaux – ele estava feliz com o itinerário planejado por meses mas a namorada queria porque queria antecipar a ida a Paris para fazer compras e já “não aguentava mais ver uvas pela frente”. Outro descobriu em Istambul , em plena lua-de-mel, que casar tinha sido um erro – não houve passeio pela Mesquita Azul ou travessia do Bósforo que remediasse a coisa.  E, dentre outros vários casos do gênero dos quais tomei conhecimento nos últimos tempos, uma leitora que escreveu pra agradecer as dicas da ótima viagem que fez pela Toscana comentou que a viagem tinha sido um sucesso – exceto pelo fato de ter embarcado com namorado e ter voltado solteira após desentendimentos diários nas estradinhas sinuosas da região.

Curioso ver que, enquanto tantos casais viajam a Paris, Veneza, Bordeaux, Istambul e Toscana justamente para tentar “recuperar a magia perdida” de seus relacionamentos ou celebrar datas importantes dos mesmos, tantos outros casais se desfaçam justamente nestes mesmos destinos, tidos como “tão românticos” no imaginário popular. A coisa anda tão feia que tem hotel lá fora entrando nesta onda também: o The Wolcott www.wolcott.com, por exemplo, em Nova York (que muita gente, acredite, acha romântica), criou um pacote pro dia dos namorados chamado “On the Mend” que inclui suíte com dois quartos e banheiros separados para o casal e um exemplar do livro “Os sete princípios para fazer um casamento dar certo”, de John M. Gottman (jupurdeus)

Porque, neah, se um relacionamento vai bem, a máxima “um amor e uma cabana” é quase sempre suficiente. Mas, se vai mal, não há destino ou hotel no mundo que remende. Ou há?

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.