Veneza fora do óbvio

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Meus pitacos para quem tem tempo e quer conhecer Veneza muito além da Piazza San Marco

 

 

 

 

 

Os mal humorados dirão que é um imenso clichê, e talvez seja mesmo; mas Veneza é seguramente diferente de qualquer outra cidade que você possa visitar no planeta. A gente nunca está preparado para ela, mesmo que não seja a primeira viagem para lá – eu até hoje sinto o mesmo baque PÁ! cada vez que saio da estação de trens Santa Lucia e dou de cara com suas venezianices do outro lado da escadaria.

São quase 120 ilhotas e mais de 400 pontes esfregando a beleza e singularidade deste labiríntico destino na nossa cara o tempo todo, entre incríveis obras-primas da arquitetura e das artes. Para explora-la, não existe um meio mais perfeito do que caminhando – seus canais, ruelas e becos foram estrategicamente desenhados para serem desbravados a pé. Para trajetos mais específicos, incluindo chegada e partida ao seu hotel, vaporettos (cujos tíquetes podem ser comprados nas maquininhas da estação de trens e das paradas – avulsos e em passes de 24 a 72h – ou na hora H, no próprio barco), water taxis (principalmente para quem chega de avião ou não quer perder tempo nos deslocamentos do dia-a-dia) e traghettos (uma espécie de gôndola pública) são mão na roda.

As possibilidades de passeios, além de simplesmente zanzar perdendo-se e econtrando-se pela cidade (não se esqueça do adorável Dorsoduro e da ilhota de Giudecca, per favore!), inclui museus deliciosos como o Ca’Rezzonico, o Accademia ou o Peggy Guggenheim, além de atrações lindas como a própria visita à basílica de San Marco e ao Palazzo Ducale. Esticadinhas clássicas de Veneza são as lindas ilhas de Murano e Burano. E ainda dá pra tomar ótimos spritz comendo clássicos do Vêneto nos tradicionais “bacari” – como o antipasti veneziano e o delicioso risoto nero – entre uma coisa e outra. Mas há muito mais por fazer por lá.

 

PARA IR ALÉM

Eu sei que muita gente vai a Veneza por apenas um dia, num passeio bate-e-volta a partir de alguma outra cidade italiana. Mas eu sempre recomendo ficar três noites na cidade para curtir de verdade, sem pressa – sem contar que ver a cidade ao amanhecer e depois do jantar são experiências incríveis e extremamente diferentes da Veneza lotada de turistas ao longo do dia. Num bom roteiro, eu sugeriria ficar pelo menos 4 noites, para ter também um dia para escapar a Murano e Murano também.

Na última visita, em julho do ano passado, eu fiquei uma semana na cidade e foi sem dúvida minha melhor e mais inesquecível viagem para lá. Mesmo sendo pleno verão italiano (que definitivamente não é a melhor época para ir a Veneza), eu tive tempo de sobra para me organizar para visitar os lugares que queria nos horários com menos público, curtir a Piazza San Marco completamente vazia ao amanhecer e ainda fazer alguns passeios lindíssimos pela primeira vez.

Quem me deu as melhores dicas possíveis para esses passeios menos óbvios foi o staff do lendário hotel Belmond Cipriani (sobre o qual eu conto mais detalhes aqui), com uma curadoria impressionante. Os passeios que mais gostei listo aqui:

 

1 – Ilha armênia

Um dos passeios mais gostosos – e que me deu aquela sensação de “como eu nunca vim aqui antes??!!” – foi visitar o mosteiro armênio na ilha de San Lazzaro. A minúscula ilhota – cujo nome exato é San Lazzaro degli Armeni – já foi uma antiga colônia para leprosos até ser doada pelo dodge a um monge armênio que fugia de perseguições em Constantinopla, no começo do século XVIII. O monge veio com duas dezenas de seguidores e resolveu fundar ali um mosteiro dedicado a arte, cultura e espiritualidade do povo armênio.

Ao longo dos séculos, o local recebeu visitas ilustres – do calibre de Napoleão e Lord Byron – e reuniu um acervo espetacular de mais de duzentos mil livros, mais de 4500 manuscritos raríssimos, tesouros e uma coleção absolutamente eclética em geral, que vai de afrescos lindíssimos a impressionantes múmias egípcias. O belo claustro é cheio de antiguidades greco-romanas e o interior do mosteiro guarda salas incríveis, incluindo uma das mais tentadoras bibliotecas que já visitei, com uma Sala de Manuscritos de arrepiar.

As visitas têm horários restritos, por isso é preciso se organizar: a gente pode tomar táxi aquático direto para lá ou o vaporetto 20 que sai de San Zaccaria às 15:10 e chega lá bem no horário da visita (há outro vaporetto coordenado com o horário de fechamento do mosteiro).  São apenas doze monges e cinco aprendizes que tomam conta de tudo hoje em dia e se esmeram em explicações aos turistas que visitam o local. No verão, vendem também sua deliciosa geléia de pétalas de rosas, produzida por eles com as flores de seu próprio jardim privado.

 

2- Autêntica praia veneziana

Esqueça o Lido, internacionalmente famoso por causa do festival de cinema e já velho conhecido dos turistas. Foi neste verão que vi pela primeira vez uma praia de verdade em Veneza – e num final de tarde em que eu curiosamente era a única turista estrangeira por lá.

Dizem os venezianos que a ilha de Sant’Erasmo é um de seus segredos bem guardados – e deve ser mesmo. Apesar de ser a segunda maior ilha da lagoa, tem apenas 750 habitantes e recebe raríssimos turistas ao longo do ano. Por ficar rodeada de natureza (além de muitas árvores de diferentes espécies, a ilha tem até vinhedos!),  ganhou o apelido de “jardim de Veneza”.

Para quem tem mais tempo, tem trilhas para caminhada ou bike. Mas eu estava mesmo interessada era em sua prainha Bacan, que no Cipriani já tinham me contado que era “a praia mais gostosa de Veneza”. E é mesmo: pequena, bonita e com vibe mesmo de secretinha – só pode ser alcançada de barco.  Era final de tarde, então já tinha pouquinha gente por lá – mas me contaram que piqueniques de venezianos no verão são bem comuns por ali. Areia fofinha, água deliciosa e uma vibe bem brasileira: música rolando, dois grupos jogando pelada à beira-mar e uma barraquinha vendendo água, cerveja e sorvetes.

Para lá, a melhor pedida é  ir com táxi aquático, que já te deixa diretamente ao lado da praia. Ou fazer um combinado de transporte público, misturando dois vaporettos até a parada “Shed” – e dali caminhar um pouco.

 

 

3 – Atrações e comprinhas que também valem

Para quem tem mais tempo e busca atrações menos óbvias para visitar na cidade, recomendo super as “fondaziones” Prada, Querini Stampalia e Giorgio Cini e também o belo Palazzo Grassi.

Se o negócio for ir além dos clássicos souvenires também na hora das compras e investir em artesanato de qualidade, boas opções são a Nardi, a Chiarastella Cattana e o Giorgio Mastinu Fine Art, todos na San Marco.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.