Ode aos aeroportos

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Essa semana li um texto muito bacaninha (que linkei to twitter) sobre o fascinio que aeroportos exercem em alguns viajantes, enquanto muitos outros simplesmente odeiam esse processo. Então, justo nesse ano de 2010, em que voei mais que em qq outro da minha vida, resolvi desenterrar esse textinho que escrevi no final de 2008. Lá vai:

Odeio voar. Mas curiosamente amo aeroportos. Ainda bem – afinal, se viajo muito, alguma coisa no processo de transporte de viagem eu também tinha que achar divertido.
Meu medo de aviões não se explica – poucos medos se explicam, afinal. Já passei por situações feias em voos mas, graças a Deus, nunca nada mais sério. E não sei nem dizer de onde surgiu meu medo já que, quando comecei a voar, adorava. Hoje, desisti de tentar entender o Princípio de Bernoulli, sempre suo frio e acho que vou morrer quando o avião acelera na pista e levanta voo mas, thanks God, procuro não pensar demasiadamente nisso e continuo voando para chegar na maioria dos destinos das minhas viagens enquanto ninguém inventa o teletransporte.
E não adianta: como uma pessoa que adora rituais em geral (oh, yes, I do), adoro aeroportos. Mesmo quando estão lotados, parecendo rodoviária em véspera de feriados, ou quando são minúsculos, ou quando não têm quase nada de infra-estrutura. O simples ir e vir de gente, as rodinhas das malas riscando o chão, os encontros, as despedidas, tudo me fascina.
Sou do tipo que chega com as 3 horas recomendadas de antecedência, pra fazer tudo com calma, não ter contratempos. E ainda ter tempo para folhear livros, revistas e jornais, manter contato através da internet, tomar uma reconfortante xícara de capuccino – ou uma taça de vinho pra relaxar, vá.
Ver gente que se despede, gente que se reencontra, gente dormindo nas cadeiras, gente que fala alto (muito alto) no celular, aquele cara lendo um livro de auto ajuda, aquela mulher entrando no avião com um salto 15 para 12 horas de voo, aquela outra com uma bota justérrima até a coxa (e a trombose, gente, como fica????), crianças com o nariz e a boca grudados no vidro olhando os aviões, casais brigando, casais se beijando, gente gastando suas últimas moedas de um dinheiro estrangeiro como se não houvesse amanhã, as malas gigantes que o povo quer convencer a companhia aérea a deixar embarcar como bagagem de mão, os avisos sonoros robóticos. Até a hora do raio X e do passaporte me diverte, sobretudo ao ver como tem gente confusa e atrapalhada nesse mundo. Porque, no fundo, é ali no aeroporto (e não no avião) que eu tenho a deliciosa e libertadora sensação de estar indo para um outro lugar.
Pensando bem, talvez as coisas fiquem bem mais monótonas e sem graça quando inventarem o teletransporte.  Tomara que, de alguma maneira, tenhamos todos que fazê-lo num mesmo local, com direito a check in, reencontros, despedidas… e salas vip, por favor.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.