Reefsleep, Whitsundays

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Como foi minha experiência de “dormir” em plena Grande Barreira da Austrália

 

 

 

Bom, como passeio de um dia o Reefworld é excelente. O barco é bom, com a equipe de guias dando ótimas dicas sobre os recifes, a vida marinha, conservação, proteção e tal. A viagem é “mexida” e vi algumas pessoas ficarem mal; mas a maioria tomou um dramin da vida e enfrentou bem o mar.

A plataforma vista do barco

Lá, os wetsuits e equipamentos para snorkel estão incluídos – só o mergulho é pago à parte. Almoço buffet, chá, água filtrada e café também estão incluídos. A infra é boa (apesar dos vestiários serem bem pequenos e poucos e limitados banheiros) e os guias são atenciosos, mesmo que haja bastante gente no local – apenas um barco de cada vez, mas o barco vem cheinho. Apesar do coral bleeching, mergulho e snorkel são ótimos ali, com uma infinidade impressionante de peixes. Vimos muitas tartarugas também, mas nada de baleias e golfinhos, que podem também aparecer por lá.

Na plataforma há uma câmara subaquática para observar a vida marinha sem se molhar (acredite: muitos asiáticos ali não entraram na água nem por um segundo) e um barco com chão de vidro sai a cada hora para um passeio. Vendem ali também os passeios de helicóptero para ver o Heart Reef, as cachoeiras horizontais etc – fiz e amei, recomendo muito.

Às 3 da tarde, o barco deixa a plataforma com os passageiros do tour de um dia. Ficam na plataforma apenas os funcionários fixos (um grupo bem pequeno, meia dúzia) e os passageiros que reservaram previamente para dormir ali, com máximo de dez ou doze pessoas. Na minha noite, eramos nove: um casal belga e sete mulheres de diferentes partes do globo. A excelente responsável pela plataforma era uma francesa toda relax, meio riponga.

A estrutura vista do alto

Assim que o barco partiu, caí na água de novo com uma das meninas. Foi uma experiência completamente diferente fazer snorkel ali sem quase ninguém em volta, como se o mar fosse só nosso, uma delícia. O garoupa gigante, que também vira e mexe aparece nas fotos de divulgação das ilhas, deu as caras sem a menor cerimônia. O jantar começa a ser servido cedo, por volta das seis e pouco. Um pouco antes, liberam a ducha (uma só) para banhos que têm que ser de menos de cinco minutos cada obrigatoriamente (para preservar água e tal).

Enquanto esperávamos o horário do jantar, notamos que uns pássaros grandes estavam meio que tomando conta do barco. No começo, parecia bonito, tanto o som quanto as aves voando com o sol se pondo ao fundo. Tiramos inúmeras fotos. Mas em menos de meia hora, já parecia filme de Hitchcock: o barco estava literalmente tomado deles, gritando muito, enlouquecidos com o cheiro do nosso jantar na grelha. Paramos de fotografar.

Foto da minha amiga alemã Angelika, que conheci nesta viagem e curtiu bem mais esta aventura do que eu 😛

Já estava escuro e fomos chamados à mesa comunal para jantar. A comida, feita pela própria responsável pela plataforma, estava mesmo ótima; mas mal conseguimos degustar. Como estava escuro do lado de fora e iluminado na parte sobre a mesa, os pássaros davam rasantes, confusos pela luz, tentando chegar na comida. Tao confusos estavam pela luz que se chocavam contra postes, paredes e contra nós mesmas. Rimos muito, tentamos levar na esportiva, mas acabamos tendo que terminar o jantar apressadamente porque vários pássaros estavam caindo mortos – jupurdeus, literalmente – ao nosso lado após se chocarem com paredes e colunas. O horror, o horror, como diria Conrad.

Como não tinhamos condição de ficar ali, a responsável sugeriu que fossemos para o deck superior, onde as barracas tinham sido instaladas, e dormissemos cedo, para aproveitar para mergulhar bem cedinho, bem antes do barco com os passageiros do dia seguinte chegar. O tempo tinha fechado e, nem bem terminamos de subir ao deck superior, os primeiros pingos de chuva começaram a cair. As luzes foram todas apagadas e cada uma recebeu uma lanterna para chegar até sua barraca e se instalar. As barracas eram todas individuais, daquelas pequenininhas, que cabe uma pessoa deitada. Ainda conversamos um pouco, cada uma em sua barraca – éramos de cinco países diferentes -, mas a chuva apertou e tivemos que fechar todos os zíperes para não entrar água na barraca. A chuva apertou e em pouco mais de uma hora tinha virado uma tempestade com raios e ventos fortíssimos. E nós lá, cada uma presa na sua barraquinha, sentindo a dita cuja grudar no corpo com a força dos ventos. Em tempo: os pássaros não arredaram pé dali – ficaram empoleirados nas colunas e fios sob as barracas e alguns, sem cerimônia, fizeram cocô sobre elas.

Nossas barracas recém montadas, antes do temporal

Em suma: eu não dormi a noite toda. Duas das meninas tomaram remédio para dormir e estavam bem humoradas, mas a maioria tinha dormido nada ou muito pouco. Tomamos o (frugal) café da manhã e caímos na água de novo, aproveitando a paz e o silêncio (às seis e pouco os pássaros foram embora) para mergulhar e snorkelear. Às dez, o barco chegou com os passageiros do dia. Seguiu-se o mesmo roteiro da véspera: um pouco de snorkel, conversas com outros visitantes, almoço etc. Às três, deixamos a plataforma com o barco que retornava a Hamilton Island – acenamos com um sorriso meio tenso na boca para os passageiros que ficavam para o pernoite.

Pessoalmente, confesso que deixei a plataforma aliviada. Dos nove que ficamos para dormir, cinco partiram mezzo traumatizados, sem cogitar repetir a experiência na vida. Rimos muito o tempo todo, inclusive das “desgraças”; acabou se revelando uma turma ótima. Fico pensando na romântica experiência de “dormir sob as estrelas na Grande Barreira” que o casal belga esperava ter ali, tadinhos. De todos modos, o saldo final acabou não sendo positivo para a maioria – e não justificou o investimento na aventura. Talvez com tempo bom, céu estrelado e menos pássaros fosse outra coisa, outra vibe.

Pessoalmente, acho que o Reefworld vale como passeio de um dia mas que o Reefsleep custa caro (com o apelo da proteção ambiental, conservação e tal) e a infra para ficar (mesmo que o tempo estivesse bom) é muito limitada; não compensa o investimento.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.