Trem na Suíça: como é a viagem no Glacier Express

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InstagramCapture_cb9d9b00-c80c-4cf6-a081-929ba7f4f764 Uma viagem de oito horas de puro deslumbramento em meio aos Alpes, ligando Zermatt a St Moritz

 

 

 

O Matterhorn mal começava a dar as caras por detrás da névoa densa que cobria Zermatt quando deixei o hotel a caminho da estação para o que seria um dia inteiro de viagem pelos Alpes suíços. Mas naquele dia, de mala e cuia, eu não tinha nenhuma baldeação em vista, nem iria fazer o mais rápido itinerário para chegar a St. Moritz, meu destino final. Eu embarcava no Glacier Express, um trem panorâmico suíço que se orgulha em dizer (justo no país da pontualidade e do tempo cronometrado) que é o trem expresso mais lento do mundo.

A doce despedida da sempre linda Zermatt

A doce despedida da sempre linda Zermatt

Adoro trens em geral. E viajar de trem na Suíça acho absolutamente indissociável de qualquer viagem por lá – até porque lá, no fundo, com tanta beleza natural gritando o tempo todo, qualquer trem é panorâmico no final das contas 🙂  Mas o Glacier Express vale – e muito – o investimento e o bumbum quadrado no final das oito horas de jornada – para quem tem tempo de sobra para gastar um dia todinho da viagem no trem, é claro. E ainda liga dois dos principais destinos suíços (ainda mais no inverno), Zermatt e St Moritz.

Glacier Express

A saída de Zermatt acontece (pontualmente, é claro!) às 8:52 da manhã, com as luzes ainda tímidas do dia de inverno lá fora.  O trem se move mesmo devagarinho, fazendo ocasionais paradinhas nos trilhos aqui e ali, enquanto todo mundo gruda a cabeça nos janelões de vidro até o teto entre um café e um chazinho, uma atividade e outra (vi altos papos, leituras, namoro, carteado).

Glacier ExpressGlacier Express

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O tempo lá fora é uma loteria, é claro – e, no dia da viagem, pegamos um pouco de tudo, de névoa densa e paisagens puramente cinzas a céu azul e sol.  E só não fotografei cada segundo da viagem porque, infelizmente, há muito reflexo nas janelas e a gente nunca consegue captar direito a beleza do que vê lá fora.

Glacier ExpressGlacier ExpressGlacier Express

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A turma do cross-country acompanhando a ferrovia

A turma do cross-country acompanhando a ferrovia

O serviço de bordo do meu vagão tinha inglês bastante limitado – mas, em compensação, encontramos duas funcionárias que falavam português. A comida, ao contrário do que acontece em aviões, por exemplo, é todinha preparada lá mesmo – e a gente pode pedir pra ver a diminuta cozinha. Para referência, o menu do dia com entrada, prato e sobremesa vale CHF43 e o prato do dia custa CHF30 – mas há também diversas outras opções em lanches, saladas e pratos e, claro, muita gente leva já o lanche de casa ou compra nas máquinas da estação.

O cozinheiro, pura simpatia, em plena ação com os solavancos do trem

O cozinheiro, pura simpatia, em plena ação com os solavancos do trem

 

Adega a bordo e tudo!

Adega a bordo e tudo!

Nesta viagem, eles aproveitaram para começar a servir o almoço bem no momento em que o trem entrou no túnel de Lötschberg, de nada menos que 42km, o que foi excelente (mas vale dizer que nem sempre é assim).

Glacier Express

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Mais ou menos na metade do caminho a St Moritz o trem para por meia hora em Disentis/Munster, um curioso vilarejo onde predomina o romanche (ou reto-romance), um dos quatro idiomas oficiais da Suíça. Não dá tempo de fazer nada por lá, mas todo mundo desce para um rolezinho, uma esticadinha nas pernas. Depois de Chur, o trem entra em trechos mais vertiginosos e o pessoal do serviço de bordo brinca de equilibrista na hora de servir líquidos 🙂

Glacier Express

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O ponto alto da parte final do trajeto é a Passagem de Albula, o sinuoso trecho da ferrovia que, de tão lindo, foi declarado patrimônio da humanidade pela Unesco, com direito a túneis em curva espetaculares.

Glacier ExpressGlacier ExpressGlacier ExpressGlacier Express

A chegada acontece (pontualmente também, é claro!) às 16:55 na estação de St Moritz (e há possibilidade de seguir até Davos).

A chegada a St Moritz

A chegada a St Moritz

Para quem assustou com as oito horas do percurso, eis aqui um clássico caso de que a viagem é mais importante que o destino. Dá pra fazer em menos tempo? Dá. Em trens regionais, com baldeações em Visp e Chur, o trajeto dura muito menos. Mas a viagem no Glacier Express (em funcionamento desde 1930!), uma das mais famosas jornadas ferroviárias do mundo, com a garganta do Reno, a passagem de Oberalp a 2033 metros de altitude e outras inúmeras lindezas se desdobram por nada menos que 91 túneis e 291 pontes espetaculares, vale o dia de jornada para quem tem mais tempo no país.

Glacier ExpressGlacier Express

p.s.: Importantíssimo: a passagem avulsa no Glacier Express custa desde CHF149, mais CHF13 de reserva. Com o Swiss Pass (que eu continuo achando ESSENCIAL mesmo numa viagem pela Suíça, pela baita economia que representa para quem se locomove bastante pelo país), custa CHF 74,50 de suplemento na segunda classe, mais os CHF13 compulsórios de reserva, já que os assentos são sempre marcados. Mais informações aqui
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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.