De carro pela África do Sul: para quando você for

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África do SulDicas e impressões dos 16 dias viajando de carro pelas porções ocidental e oriental do país, visitando destinos pouco conhecidos dos turistas estrangeiros
Não tenho amor pelo perrengue em viagem nem sou tão destemida (não mesmo) quanto um Theroux da vida :D, mas sempre quis fazer uma viagem de carro na África do Sul.

Essa foi minha quarta viagem pelo país, um dos meus prediletos no planeta. Do básico de todo turista estrangeiro em primeira viagem pelo país (Joanesburgo, Kruger, Cidade do Cabo, vinícolas) à ideia de a cada viagem introduzir ao menos uma cidadezinha nova no roteiro,  desta última vez, a minha proposta era bem específica: visitar lugares para os quais os turistas sul-africanos costumam viajar dentro de seu próprio país e pouco conhecidos de turistas internacionais em geral.

Com amigas sul-africanas, craques na mão inglesa que é mandatória em todo o país (e que meu cérebro não consegue aceitar nas rotatórias e balões de acesso :/ ), fiz um roteiro em duas porções: uma oriental, começando e terminando no aeroporto de Joanesburgo (com a maior quantidade de horas de estrada), e outra ocidental, começando e terminando no aeroporto da Cidade do Cabo, numa viagem de 16 dias no total.

Em dois posts anteriores (aqui e aqui) contei um pouquinho “ao vivo” sobre a viagem e cada um dos locais de “escala” –  e muita gente acompanhou meu roteiro também pelo instagram e pelo twitter. Das savanas aos fynbos, do interior ao litoral, atravessamos Free State, KZN, Umngazi, Constantia, Garden Route etc (único voo foi de Joburg à Cidade do Cabo, para dar uma aliviada na road trip). Virão também outros posts específicos sobre cada destino de escala e propriedade, e também sobre as rotas mais interessantes (minha predileta foi atravessar as KZN – KwaZulu Natal Midlands). Mas faltou dar as dicas pontuais, após encerramento da viagem (cheguei ontem), levando em consideração o que deu certo e o que deu errado. Bora lá:

África do Sul

– usar o aluguel da Avis South Africa para a perna oriental foi uma mão na roda, recomendo muito. Eles têm todo um andar do estacionamento logo em frente do desembarque internacional no aeroporto de Joanesburgo, facílimo de chegar, e a retirada do carro foi rápida e descomplicada, com atendimento bem simpático (e a devolução também). E os preços estavam dentro da mesma faixa de todas as demais locadoras pesquisadas.

– não planeje dirigir grandes distâncias no dia do seu desembarque. A gente chega cansado do voo internacional, muitas vezes sem nem dormir à bordo; melhor não abusar. Dirigir em Joburg não é fácil e muita gente acaba planejando, como nós mesmas fizemos, sair direto do aeroporto para o primeiro destino fora da cidade. Então vale escolher um destino próximo, como nós fizemos com o Botse Botse, em Zebula (levamos 3h porque erramos um acesso, mas o trajeto correto levaria 2h30).

– se eu fizesse esse roteiro novamente, tiraria mais tempo para ele, sobretudo para a primeira perna. Acho que duas noites a mais na perna oriental da viagem teriam sido fundamentais. Algumas distâncias foram muito longas para ficar apenas uma ou duas noites no destino. Num dos dias, do Eastern Free State à boca do rio Umngazi (ou Mngazi), dirigirmos por 8h30 com uma mera paradinha de 20 minutos; e daí ficamos meio imprestáveis no dia seguinte. Então, se distâncias grandes no seu roteiro também forem inevitáveis, programe já de antemão um dia para não fazer nada 😉

Encarar estrada assim é fácil :D

Encarar estrada assim é fácil 😀

– tenha noção da sua rota toda antes de começar a viagem do dia e não tenha medo ou vergonha de parar para perguntar se tiver dúvidas – as saídas e alças de acesso para estradas secundárias são meio chatinhas, às vezes. Estávamos usando o Google Maps como GPS mas descobrimos que vários roteiros nele estão desatualizados ou equivocados (na propriedade à beira do Umngazi ele nos levou para uma área completamente diferente e nos fez gastar mais tempo de estrada que o necessário em várias ocasiões)  – os mapas dos iTrecos e o tradicional GPS são muito mais confiáveis

– a condição das estradas é boa, sobretudo na porção oriental. Algumas operam com uma, outras com duas e, raríssimas vezes, com três pistas, mas o trânsito até que fluiu bem durante toda a viagem. Entretanto, é preciso calcular o tempo do percurso com folga para o caso de pegar nas estradas de pista única um caminhão ou uma das muitas vans de transporte público na sua frente ou, em lugares como as Midlands, vacas ou ovelhas atravessando a estrada sem a menor pressa ou cerimônia 😉

– é preciso olho na sinalização o tempo todo. Algumas estradas, como no Brasil, mudam o limite de velocidade ao longo do percurso, variando entre 80 e 120 km/h. Há fiscalização fotográfica em vários pontos e vimos em váaaaaaarios trechos os fiscais com radares móveis, geralmente escondidos atrás de arbustos o.O  O uso do cinto de segurança é obviamente obrigatório e usar o celular ao volante dá multa também.

– os postos de combustíveis não são tão abundantes e frequentes como em muitas das estradas brasileiras, por isso é legal ter olho vivo no seu painel e não deixar para abastecer somente quando já estiver na reserva – nessa hora, pode não ter um posto nas proximidades. Verifique antes, pelamordedeus, ainda na locadora, qual o tipo de combustível que vai no seu carro; há vários alertas espalhados pelos postos sobre isso. O litro da gasolina vale cerca de US$1,30.

– na nossa perna oriental da viagem passamos por uma quantidade impressionante de pedágios. Os valores isolados não são altos (geralmente entre 3 e 4 dólares) mas, no saldo final, vai uma baita grana nisso – é bom já ter noção antecipadamente. Por outro lado, durante toda a nossa perna ocidental da viagem (arredores do Cabo e Garden Route), não nos deparamos com um pedágio sequer.

– cartões de crédito funcionaram super bem em todos os postos de combustível e pedágios. A rapidez de pagamento com cartão nos pedágios, por sinal, foi impressionante – cinco segundos contados no relógio, uma maravilha. Nos postos, os atendentes sempre limpam seus vidros esperando uma moedinha.

– as Midlands são famosas também pela neblina. Demos azar com o tempo por lá, porque pegamos também dias chuvosos, mas a neblina fechada que pegamos na estrada nos disseram ser meio uma constante. Por ali, vale dirigir sempre com os faróis ligados, por garantia.

– peça para seu “co-piloto” manter a câmera em mãos: algumas rotas são extremamente cênicas, cheias de montanhas “chapadas” tipo a Table Mountain ou belos vales floridos, como as Midlands e a Garden Route.

– para encarar estrada como um sul-africano, abasteça seu carro com líquidos (suco, água, refri, o que preferir) e compre nas estradas o tão apreciado localmente Biltong, uma espécie de carne seca que pode ser comida em rolinhos como salame ou jerked beef, em fatias ou (meu preferido) desfiada. O Biltong é vendido em tudo quanto é canto, geralmente com placas ou faixas anunciando o snack de preferência nacional. Dizem os sul-africanos que não existe uma boa road trip sem biltong 😉

– há inúmeras pessoas, o tempo todo, nas margens e acostamento das estradas, pedindo carona. Vira e mexe estão com papéis com o nome de seu destino escrito – mesmo quando não há acostamento, um perigo. Olho vivo na direção.

– e, por último: dirija sempre durante o dia. Em alguns trechos você tem km e mais km de descampado, sem acostamento ou um único posto ou vilarejo para parar, caso precise de ajuda, e, geral, sem iluminação também. Prefira sair cedinho, se necessário, mas não encare as estradas depois do por-do-sol.

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About the author

Mari Campos é jornalista formada e especializada em turismo e lifestyle de luxo, e colabora exclusiva e regularmente como freelancer há mais de treze anos com textos e fotos sobre o tema para portais, revistas e jornais no Brasil e em outros oito países. O conteúdo deste post foi elaborado e decidido pela autora tendo como único critério a relevância do assunto para os leitores do MariCampos.com. A menos que esteja escrito explicitamente "post patrocinado" em letras maiúsculas no início do texto do post, não há qualquer tipo de vínculo ou parceria comercial/editorial com as empresas, estabelecimentos e/ou serviços citados no texto nem qualquer tipo de remuneração pelo mesmo.